Quatro são investigados por homicídio após desabamento que matou seis em SP
Polícia investiga omissões e falhas na obra, além de denúncias de estelionato na venda de imóveis.
Seis pessoas morreram no desabamento de um prédio na zona Leste de São Paulo no último sábado (12), e a Polícia Civil já trata o caso como homicídio com dolo eventual. Quatro envolvidos na obra podem responder pelo crime. Um deles, apontado como sócio oculto de uma das construtoras, está preso.
Outros dois são considerados foragidos: o filho do preso, que era o responsável técnico pela construção, e uma sócia de outra empresa que participou do empreendimento.
A delegada Deidiene Fialho Costa Éboli afirmou que a decisão de pedir a prisão levou em conta o fato de os investigados não terem se apresentado espontaneamente para prestar esclarecimentos. A polícia também considerou o risco de fuga e a possibilidade de destruição de provas.
Uma servidora municipal que atestou a demolição da estrutura que existia no local prestou depoimento nesta terça – feira (15) e também é investigada.
Investigação mira omissões e falhas na obra
As autoridades apuram ações e omissões que podem ter contribuído para as mortes. A investigação deve alcançar todas as etapas: desde a construção e as vistorias até os processos de autorização e liberação do imóvel. Até o momento, ao menos três empresas ligadas ao empreendimento foram identificadas, entre elas uma que teria sido responsável pela obra até 2024.
O desabamento atingiu uma residência na rua Tequici, no bairro da Penha. O prédio tinha 12 andares. Entre as seis vítimas fatais estão três mulheres (uma delas grávida), dois homens e uma criança. Um homem e uma criança foram resgatados com vida e atendidos por equipes médicas.
Suspeitas de estelionato na venda de imóveis
Além da investigação sobre as mortes, a Polícia Civil apura denúncias de estelionato relacionadas à venda de apartamentos e terrenos ligados às construtoras. Segundo os investigadores, mais de dez pessoas já relataram prejuízos patrimoniais. Quatro inquéritos foram instaurados no 10º Distrito Policial, na Penha, para apurar os casos.
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Embora as autoridades tenham identificado boletins de ocorrência anteriores, muitas vítimas não formalizaram a representação. Testemunhas que procuraram a delegacia na segunda – feira (14) relataram que o homem preso atuava como sócio oculto dos negócios, com participação na compra e venda de imóveis e terrenos, além de poder de decisão sobre os empreendimentos.