Qual fatores contribuíram para o fortalecimento de um partido populista no Japão nas eleições?

Sohei Kamiya, líder do Sanseito, alcançou notoriedade após a pandemia ao divulgar teorias conspiratórias sobre vacinas.

21/07/2025 19:45

5 min

Qual fatores contribuíram para o fortalecimento de um partido populista no Japão nas eleições?
(Imagem de reprodução da internet).

Sohei Kamiya é um ex-gerente de supermercado que fundou seu partido político no YouTube durante a pandemia da Covid-19. Ele conduziu uma campanha com elementos de discurso “trumpista”, incluindo a frase “Japanese First”.

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O Sanseito, partido populista de direita japonês, emergiu como vencedor inesperado nas eleições parlamentares deste fim de semana.

O Sanseito, inspirado em outros grupos populistas de direita que surgiram nos últimos anos, obteve 14 cadeiras na Câmara Alta do Japão, conforme reportado pela emissora pública NHK – um aumento significativo em comparação com a única cadeira que detinha anteriormente.

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Isto pode não representar uma grande expressividade para uma Assembleia Legislativa de 248 deputados, mas demonstra que a comunicação do partido está sendo percebida por diferentes segmentos da sociedade japonesa.

O inesperado sucesso eleitoral intensifica a pressão sobre o primeiro-ministro Shigeru Ishiba e o Partido Liberal Democrata, que, após as eleições de domingo (20), perdeu a maioria tanto na Câmara Baixa quanto na Alta.

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Ishiba resiste aos pedidos de renúncia, até o momento.

Partido criado na internet.

A ascensão do Sanseito é notável devido às suas origens incomuns.

Sohei Kamiya criou o grupo em 2020, “reunindo pessoas na internet” e, progressivamente, começou a obter espaços em reuniões locais, declarou em um pronunciamento recente.

Até segunda-feira (21), o canal no YouTube contava com mais de 460 mil inscritos.

O grupo fortaleceu-se durante a pandemia da Covid-19, ao divulgar teorias da conspiração sobre vacinas e uma conspiração de elites globais, segundo a Reuters.

Contudo, na preparação para as eleições à Câmara Alta, o Sanseito ganhou notoriedade com a campanha “Japanese First”, que abordava questões relativas ao excesso de turismo e à concentração de estrangeiros residentes.

A questão tem se tornado cada vez mais delicada. O quarto maior país do mundo tem sido rigoroso em relação à imigração, porém nos últimos anos tem se esforçado para atrair mais turistas internacionais e trabalhadores estrangeiros para enfrentar o rápido envelhecimento da população e a queda nas taxas de natalidade.

Turismo como principal divisor de águas.

O número de estrangeiros residentes no Japão aumentou de 2,23 milhões para 3,77 milhões na última década, ainda representando apenas 3% da população total, que ultrapassa os 120 milhões de pessoas.

O fluxo de turistas continua estabelecendo marcas recorde. Contudo, isso gerou dificuldades em cidades com grande concentração de visitantes, com alguns deles apresentando comportamento inadequado e esgotando recursos como as águas termais do país.

Atualmente, alguns consideram que existe um excesso de estrangeiros no Japão, o que levou o governo a formar recentemente uma nova equipe de trabalho para tratar da questão.

A Sanseito investigou essas frustrações em sua plataforma “Japanese First”, em conjunto com outras críticas referentes a salários estagnados, inflação elevada e alto custo de vida.

“Atualmente, a vida dos japoneses está cada vez mais difícil”, declarou Kamiya em discurso em julho. Ele mencionou a ausência de crescimento econômico e o aumento da desigualdade de renda.

“Cada vez mais estrangeiros estão vindo (para o Japão)”, comentou.

Ele ressaltou que não tem interesse em turistas, mas afirmou que a dependência de mão de obra estrangeira barata prejudicaria os salários japoneses e que trabalhadores estrangeiros que não conseguissem encontrar um bom emprego aumentariam a criminalidade.

O partido defende restrições ao número de estrangeiros em cada cidade, além de endurecer as políticas de imigração e reduzir os benefícios concedidos a estrangeiros, dificultando o processo de naturalização.

O Sanseito também propõe medidas de segurança mais rigorosas e leis anti-espionagem, além de maiores reduções de impostos, investimento em energia renovável e um sistema de saúde que se distancia das vacinas.

Solicitou reforços na proteção, advertindo que o Japão está “circundado” por nações com armas nucleares e, consequentemente, necessita de uma “força dissuasora” em busca da desnuclearização a longo prazo.

Comparações com o MAGA (Make America Great Again).

Kamiya também realizou comparações com outros grupos, incluindo o movimento MAGA de Donald Trump nos Estados Unidos, o partido AfD (Alternativa para a Alemanha) e o Reform UK.

O Sanseito ganhou destaque recente, principalmente nos Estados Unidos, em razão do clima populista e antiestrangeiro, afirmou Joshua Walker, diretor da organização sem fins lucrativos Japan Society, sediada nos EUA, conforme reportado pela Reuters.

“Além disso, uma das maiores fraquezas do Partido Liberal Democrata e de Ishiba é superior a qualquer outra questão”, acrescentou Walker.

Diversos manifestaram críticas à plataforma do Sanseito, acusando-a de ser xenófoba e discriminatória. Anteriormente à eleição, o partido buscou atenuar algumas das posições mais polêmicas e ampliar seu apelo a eleitoras, conforme reportado pela Reuters.

Após os resultados das eleições, ele adotou um tom triunfante, conforme relatado pela Reuters. “O público passou a entender que a mídia estava errada e Sanseito estava certo”, declarou Kamiya.

Qual é o próximo passo para a vencedora do prêmio?

Os resultados colocaram a coligação do primeiro-ministro Ishiba em uma situação muito instável.

Em outubro, já havia perdido o controle da Câmara Baixa, que é mais poderosa, com o Partido Liberal Democrata perdendo a maioria pela primeira vez em 15 anos – uma dura crítica dos eleitores japoneses ao partido no poder há muito tempo.

Em uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (21), Ishiba avaliou os resultados da Câmara Alta como uma avaliação crítica sobre o Partido Liberal Democrata e expressou votos de desculpas ao partido.

Ele afirmou que o partido manteria o governo com seu parceiro de coalizão e continuaria a trabalhar com outros partidos para cooperar em questões-chave.

Após o término das votações no domingo (20), Ishiba declarou à NHK que desejava continuar como primeiro-ministro e líder do partido, mencionando as negociações comerciais com os Estados Unidos.

O Japão está entre os diversos países que enfrentarão uma taxa de 25% a partir de 1º de agosto, sob as novas medidas de Trump – caso não consigam chegar a um acordo.

Ishiba declarou, na coletiva de imprensa, que desejava conversar com Trump o quanto antes para buscar uma solução.

Fonte por: CNN Brasil

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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