Psicóloga Dorli Kamkhagi analisa apego ao passado e suas consequências emocionais

No consultório da psicóloga Dorli Kamkhagi, muitos pacientes relatam a dificuldade de se desvincular de experiências passadas. Essas histórias são marcadas por uma fixação que faz com que eles voltem a viver em tempos que já passaram, comprometendo a intensidade e o significado do presente.
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O apego ao passado costuma estar ligado a relacionamentos não resolvidos, especialmente com figuras parentais. Muitas vezes, essas memórias são idealizadas, criando uma fantasia que prende as pessoas a um amor que pode nunca ter existido ou ter sido tão grandioso quanto se imagina.
Ao investigar mais profundamente a história de vida desses indivíduos, é possível encontrar indícios de que essa idealização é uma forma de manter viva uma narrativa, mesmo que apenas em nível fantasioso. Isso levanta questões sobre os mecanismos psicológicos que levam algumas pessoas a estagnar em momentos específicos de sua trajetória e o porquê desse passado exercer um poder tão forte sobre elas.
A importância dos vínculos afetivos
Estudos realizados por John Bowlby mostram que o vínculo afetivo entre bebês e seus cuidadores é fundamental para atender às suas necessidades emocionais e biológicas. De acordo com sua teoria, todos nascem com um sistema de apego. Quando essa troca acontece de forma saudável, proporciona ao bebê um desenvolvimento seguro, fazendo com que ele busque repetir essa experiência positiva em suas futuras relações.
Por outro lado, quando esse vínculo não é estabelecido adequadamente, surgem inseguranças e medos que dificultam as interações nas relações interpessoais ao longo da vida. Os estudos indicam que o apego excessivo ao passado é comum entre pessoas inseguras que tentam segurar algo que acreditam ter sido muito bom, mas também pode ser resultado de experiências dolorosas anteriores.
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Assim, algumas pessoas acabam recorrendo ao seu passado como uma forma de se proteger da dor. Esse apego serve como um escudo contra novas experiências, fazendo com que memórias dolorosas sejam reinterpretadas como positivas. Consequentemente, isso impede a formação de novos laços amorosos e vínculos significativos.
Um exemplo clínico
No caso de Rachel, uma mulher de 60 anos, a terapia revelou nuances escondidas em seu casamento idealizado. Ela havia deixado sua carreira como advogada para se dedicar à vida conjugal dos sonhos. No entanto, seu marido desejava encerrar o relacionamento.
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Durante as sessões terapêuticas, Rachel percebeu que o marido representava não apenas um príncipe encantado, mas também refletia padrões negativos herdados de sua própria educação familiar.
Esse tipo de relação conjugal pode ser mantido por desamor e indiferença, criando um ciclo destrutivo onde esperanças frustradas pela falta de afeto podem levar à perpetuação do sofrimento emocional. O trabalho terapêutico revela que sentimentos negativos como ódio podem nutrir relações prejudiciais e impedir a resolução dos conflitos necessários para um crescimento saudável.
Rumo à superação
Enfrentar as dificuldades emocionais requer coragem para romper com fantasias destrutivas e aceitar a fragilidade inerente às relações humanas. A saída para esses pactos prejudiciais muitas vezes está na disposição para lidar com as dores do presente e deixar para trás um passado idealizado que já não existe mais.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



