Protesto estudantil na Bélgica termina em confronto com a polícia em Liège

Protestos em Liège ocorrem em meio a onda de detenções de menores na França, com 87% dos presos com menos de 18 anos.

07/10/2026 19:15

3 min

PROTESTOS-BELGICA
PROTESTOS-BELGICA

Protestos estudantis na cidade belga de Liège escalaram para confrontos violentos nesta quarta – feira (7), com focos de incêndio tomando conta de ruas e a polícia local recorrendo a jatos d’água para tentar conter a multidão. O movimento, que já dura meses, ganhou força após o governo da região francófona da Bélgica aprovar um reajuste nas mensalidades do ensino superior.

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Os estudantes que foram às ruas denunciam uma combinação de fatores: o aumento expressivo no custo da educação, salas de aula cada vez mais lotadas e a dificuldade crescente para conseguir acesso a materiais de estudo. A insatisfação explodiu depois que, desde junho, as anuidades das universidades saltaram de 835 euros para 1.194 euros — o equivalente a cerca de R 6.700.

O protesto em Liège não é um caso isolado e está diretamente ligado ao que acontece na vizinha França.

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Onda de protestos cruza fronteiras

Do outro lado da fronteira, a situação é ainda mais grave. Segundo o Ministério da Justiça da França, cerca de 5.060 pessoas foram presas desde o início dos protestos estudantis por lá. Um dado chama a atenção: 87% dos detidos são menores de idade.

O número expressivo de jovens envolvidos mostra como o descontentamento com as condições do ensino tem mobilizado uma geração inteira.

Na Bélgica, a imprensa local já contabiliza 107 prisões realizadas durante os atos. As detenções estão frequentemente ligadas a infrações como danos ao patrimônio público e privado e incêndio criminoso. As autoridades temem que a violência se espalhe para outras cidades do país, à medida que o movimento estudantil ganha adesão.

Cenário de tensão nas ruas de Liège

As imagens vindas de Liège mostram um cenário de caos. Grupos de estudantes entraram em confronto direto com a polícia, que respondeu com forte aparato de repressão. Os jatos d’água foram usados para dispersar manifestantes que bloqueavam vias importantes e ateavam fogo em objetos, formando barricadas improvisadas.

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O movimento estudantil belga critica não apenas o aumento das anuidades, mas também a falta de investimento estrutural nas universidades. Relatos de alunos apontam que as salas de aula estão operando muito acima da capacidade, e a bibliografia básica dos cursos se tornou ainda mais cara e difícil de encontrar.

Para os líderes do protesto, o governo da região francófona ignorou os apelos por diálogo e optou por um ajuste financeiro que penaliza justamente quem está começando a vida acadêmica.

Até o momento, não há sinal de recuo por parte das autoridades belgas, e os organizadores dos atos prometem novas mobilizações nos próximos dias.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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