Propostas de Aegea e Equatorial para privatização da Copasa estão R$ 2,7 bilhões abaixo do justo!

Propostas de privatização da Copasa podem estar R$ 2,7 bilhões abaixo do valor justo, segundo o Sindiágua-MG. Entenda as implicações dessa avaliação.

27/05/2026 13:41

4 min

Propostas de Aegea e Equatorial para privatização da Copasa estão R$ 2,7 bilhões abaixo do justo!
(Imagem de reprodução da internet).

Propostas de Privatização da Copasa Abaixo do Valor Adequado

As propostas feitas pela Aegea e pela Equatorial para a privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) podem ter ficado R$ 2,7 bilhões abaixo do valor considerado justo para a empresa, conforme levantamento realizado pelo Sindiágua-MG (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais).

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O presidente do sindicato, Milton Costa, destacou que essa situação está relacionada à expectativa de uma privatização com pelo menos cinco proponentes.

Costa comentou que o modelo adotado para a privatização resultou na subvalorização dos 30% das ações da empresa que serão disponibilizadas ao mercado. De acordo com o edital da privatização, a operação será realizada por meio de uma oferta pública secundária de ações na bolsa de valores (B3), onde o Governo de Minas venderá os papéis que já possui na companhia.

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Com esse modelo, o estado transfere o controle acionário da empresa para a iniciativa privada, mas mantém o poder de veto em decisões estratégicas.

Objetivos e Críticas ao Modelo de Privatização

O governo estadual pretende utilizar os recursos obtidos para auxiliar no pagamento da dívida de Minas Gerais com a União, que está estimada em R$ 180 bilhões. No entanto, Milton Costa argumenta que o formato escolhido levou a uma avaliação inadequada dos ativos da companhia e vinculou o valor da operação a incertezas relacionadas à privatização e ao cenário econômico internacional, o que aumentou a volatilidade do mercado e impactou diretamente o valor das ações da empresa.

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O presidente do sindicato também ressaltou que o curto prazo para análise do modelo e apresentação de propostas – que foi de apenas 14 dias – e as exigências do edital, como a garantia bancária de R$ 7 bilhões e a comprovação de R$ 6,3 bilhões em investimentos nos últimos cinco anos, afastaram fundos internacionais interessados no setor de saneamento brasileiro.

Segundo ele, essas exigências diminuíram a competitividade da disputa, resultando em apenas dois grupos apresentando propostas, sem garantir que a futura controladora cumprirá as obrigações contratuais.

Mudanças na Percepção do Mercado e Ação no TCE-MG

Outro aspecto mencionado por Costa é a mudança na percepção do mercado em relação ao setor de saneamento. Ele observou que o segmento perdeu parte do apetite dos investidores após uma expectativa inicial considerada excessivamente otimista sobre o retorno financeiro dos ativos.

Fatores como juros elevados, aumento do risco dos projetos e a limitação da capacidade de endividamento das grandes empresas do setor contribuíram para a diminuição do interesse do mercado em novos ativos de saneamento.

Na última terça-feira (26), o sindicato protocolou uma nova ação no TCE-MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais) solicitando a suspensão da licitação. A entidade argumenta que, apesar de duas propostas terem sido apresentadas, haveria apenas um concorrente efetivo, uma vez que a Sabesp declarou que não irá apresentar proposta, deixando a disputa com um único candidato no momento da precificação.

Resposta da Copasa e Atualizações na Oferta

A Copasa respondeu ao processo afirmando que a operação foi conduzida de maneira acelerada para garantir recursos destinados ao pagamento da dívida do estado com a União, mantendo responsabilidade e governança no processo. A empresa também esclareceu que a exigência de garantia de R$ 7 bilhões “não impõe barreiras excessivas ou desproporcionais à ampla concorrência” e que essa medida visa assegurar a seleção de “investidores de alta qualificação, idôneos e com robustez financeira suficiente para garantir o cumprimento das metas de universalização dos serviços de saneamento básico”.

Na manhã desta quarta-feira (27), o movimento implica uma nova lâmina da oferta de ações e um cronograma de oferta atualizado. Em nota, a Copasa informou que “os novos documentos da oferta e o respectivo cronograma atualizado serão oportunamente reapresentados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e divulgados ao mercado”.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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