Professor Vitélio Brustolin analisa fragilidades do acordo entre EUA e Irã em entrevista
Vitélio Brustolin alerta que o acordo entre EUA e Irã é frágil e pode ser facilmente desfeito, com implicações diretas para a estabilidade no Estreito de Ormuz
Avaliação do Acordo Provisório entre EUA e Irã
Vitélio Brustolin, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador da Universidade de Harvard, analisou o acordo provisório firmado entre os Estados Unidos e o Irã em entrevista ao programa Hora H. Brustolin classificou o documento como uma estrutura propensa a ser desfeita, destacando suas fragilidades.
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Estrutura Fragil do Memorando
De acordo com o especialista, o memorando possui 14 tópicos e estabelece um prazo de 60 dias para a negociação de um acordo final. Uma cláusula adicional permite a prorrogação desse prazo caso as partes envolvidas não cheguem a um entendimento.
Brustolin enfatizou que o acordo não representa um comprometimento sólido, mas sim uma estratégia que pode ser facilmente abandonada.
Implicações para o Irã e o Estreito de Ormuz
Brustolin argumentou que o status quo favorece o Irã, uma vez que o Estreito de Ormuz já estava acessível antes dos recentes ataques dos EUA e de Israel. Para ele, qualquer desarranjo nas negociações pode impactar diretamente a situação do Estreito, mesmo sem a participação direta de Israel ou do Hezbollah nas discussões.
O pesquisador também apontou que o foco do conflito deveria ser o programa nuclear iraniano, e não apenas a questão do estreito.
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Pressões Internas e Política de Netanyahu
Questionado sobre as tensões crescentes entre EUA e Israel, Brustolin observou que Benjamin Netanyahu estaria colocando seus interesses pessoais acima das necessidades do país. O professor lembrou que Netanyahu enfrenta quatro acusações de corrupção e é responsabilizado por não ter antecipado os ataques de 7 de outubro de 2023, além de estar sob um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional.
Nesse contexto, Brustolin afirmou que, se o acordo não for cumprido, Netanyahu será o principal afetado politicamente.
O Papel dos Aliados Ocidentais e do G7
Sobre a atuação dos aliados ocidentais no G7, Brustolin mencionou que há negociações ocorrendo nos bastidores. Diferente da reunião anterior no Canadá, onde os EUA não reafirmaram apoio à soberania da Ucrânia e se abstiveram de condenar a Rússia, desta vez houve uma declaração conjunta que incluiu a condenação ao país.
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Trump também mencionou a possibilidade de reimposição de sanções sobre o petróleo russo.
Brustolin destacou que países europeus, especialmente França e Reino Unido, possuem mais navios de caça-minas na região do que os Estados Unidos e poderiam auxiliar em uma operação para reabrir o Estreito de Ormuz, caso o Irã não cumpra as condições do acordo.
Ele acredita que, ao resolver a situação do estreito, os europeus poderiam pressionar Trump com mais eficácia para obter apoio à Ucrânia no conflito com a Rússia.