Professor Vitélio Brustolin analisa fragilidades do acordo entre EUA e Irã em entrevista

Vitélio Brustolin alerta que o acordo entre EUA e Irã é frágil e pode ser facilmente desfeito, com implicações diretas para a estabilidade no Estreito de Ormuz

19/06/2026 05:56

3 min

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém, em 19 de março
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém,...

Avaliação do Acordo Provisório entre EUA e Irã

Vitélio Brustolin, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador da Universidade de Harvard, analisou o acordo provisório firmado entre os Estados Unidos e o Irã em entrevista ao programa Hora H. Brustolin classificou o documento como uma estrutura propensa a ser desfeita, destacando suas fragilidades.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Estrutura Fragil do Memorando

De acordo com o especialista, o memorando possui 14 tópicos e estabelece um prazo de 60 dias para a negociação de um acordo final. Uma cláusula adicional permite a prorrogação desse prazo caso as partes envolvidas não cheguem a um entendimento.

Brustolin enfatizou que o acordo não representa um comprometimento sólido, mas sim uma estratégia que pode ser facilmente abandonada.

Implicações para o Irã e o Estreito de Ormuz

Brustolin argumentou que o status quo favorece o Irã, uma vez que o Estreito de Ormuz já estava acessível antes dos recentes ataques dos EUA e de Israel. Para ele, qualquer desarranjo nas negociações pode impactar diretamente a situação do Estreito, mesmo sem a participação direta de Israel ou do Hezbollah nas discussões.

O pesquisador também apontou que o foco do conflito deveria ser o programa nuclear iraniano, e não apenas a questão do estreito.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pressões Internas e Política de Netanyahu

Questionado sobre as tensões crescentes entre EUA e Israel, Brustolin observou que Benjamin Netanyahu estaria colocando seus interesses pessoais acima das necessidades do país. O professor lembrou que Netanyahu enfrenta quatro acusações de corrupção e é responsabilizado por não ter antecipado os ataques de 7 de outubro de 2023, além de estar sob um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional.

Nesse contexto, Brustolin afirmou que, se o acordo não for cumprido, Netanyahu será o principal afetado politicamente.

O Papel dos Aliados Ocidentais e do G7

Sobre a atuação dos aliados ocidentais no G7, Brustolin mencionou que há negociações ocorrendo nos bastidores. Diferente da reunião anterior no Canadá, onde os EUA não reafirmaram apoio à soberania da Ucrânia e se abstiveram de condenar a Rússia, desta vez houve uma declaração conjunta que incluiu a condenação ao país.

Leia também

Trump também mencionou a possibilidade de reimposição de sanções sobre o petróleo russo.

Brustolin destacou que países europeus, especialmente França e Reino Unido, possuem mais navios de caça-minas na região do que os Estados Unidos e poderiam auxiliar em uma operação para reabrir o Estreito de Ormuz, caso o Irã não cumpra as condições do acordo.

Ele acredita que, ao resolver a situação do estreito, os europeus poderiam pressionar Trump com mais eficácia para obter apoio à Ucrânia no conflito com a Rússia.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!