Primeiros efeitos do Super El Niño já são sentidos no Brasil

Efeitos do Super El Niño no Brasil indicam aumento das chuvas no Sul e riscos de secas prolongadas no Norte e Nordeste, além de incêndios florestais.

El Niño pode ser um dos mais devastadores da história

O fenômeno El Niño, que pode ser o mais devastador da história, já começa a mostrar seus efeitos no Brasil, segundo o boletim semanal do Instituto Clima Info. Este documento reúne dados de diversas agências e órgãos oficiais sobre chuvas, secas, queimadas e outros indicadores climáticos.

A última atualização destaca um aumento significativo das chuvas no Rio Grande do Sul, o que está em linha com os padrões esperados do fenômeno. Na última semana de julho, mais de 84 mil pessoas em 171 municípios gaúchos foram afetadas por essas chuvas.

Historicamente, o Sul do Brasil é a primeira região a sentir os impactos do El Niño, e isso costuma ocorrer já na primavera. O boletim também enfatiza que as mudanças climáticas provocadas pelo fenômeno podem redesenhar o mapa de chuvas do país, levando a uma seca prolongada no Norte e no Nordeste e aumentando os riscos de incêndios florestais na Amazônia e no Cerrado.

Aquecimento das águas do Pacífico

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Em 2026, essa anomalia já alcançou 1,8°C, um ritmo de aquecimento superior à média histórica para este período do ano. O modelo europeu ECMWF prevê que essa temperatura pode ultrapassar os 3°C entre setembro e dezembro.

Metade das simulações sugere que ela pode chegar perto de 3,3°C.

Embora junho tenha registrado queimadas 27% abaixo da média histórica e 14% inferiores aos números de 2025 — resultado atribuído ao aumento da quantidade de brigadistas e à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo — há uma expectativa de alteração nesse cenário.

O El Niño tende a intensificar a seca na Amazônia e no Cerrado até pelo menos o final de setembro, aumentando o risco de incêndios.

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Previsões alarmantes

O Boletim do El Niño é uma publicação semanal do Instituto Clima Info que combina dados de institutos federais como Inpe, Inmet e ANA com informações da imprensa sobre o fenômeno. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), este episódio pode se tornar um dos mais intensos desde que começaram os registros.

A agência estima uma probabilidade superior a 90% para um El Niño muito forte até 2027 e 69% para que ele seja histórico, superando intensidades anteriores.

Se as previsões se concretizarem, a anomalia da temperatura da superfície do mar poderá ultrapassar 2,5°C durante o último trimestre de 2026. A NOAA também aponta para uma chance de 95% de um evento fortíssimo ocorrer entre outubro e dezembro deste ano, afetando principalmente o hemisfério Norte.

Impactos econômicos das mudanças climáticas

Entre 2022 e 2024, eventos climáticos relevantes causaram enormes prejuízos no Brasil. Um levantamento realizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) em parceria com a consultoria EY (Ernst & Young) revela que apenas 9% dessas perdas estavam cobertas por seguros.

Apesar do aumento significativo dos eventos climáticos extremos na última década, apenas 2,3% da área produtiva brasileira tinha cobertura em 2025.

A discussão sobre proteção contra esses desastres se torna ainda mais urgente com a iminência do El Niño. Segundo o INMET, episódios desse fenômeno estão associados a chuvas mais volumosas no Sul e à redução das precipitações em partes do Norte e Nordeste.

Para as seguradoras, isso representa um desafio grande: agricultura, imóveis, veículos e infraestrutura podem ser impactados simultaneamente.