Pressão e críticas a Fachin aproximam alas do STF durante a maior crise interna da corte

Ministros avaliam que a demora de Fachin em arbitrar o conflito agravou decisões cruzadas e cobram resposta rápida para evitar novos choques no STF.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, em sessão plenária do Supremo

Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a concentrar críticas de diferentes alas da corte durante a maior briga interna desde a redemocratização. A avaliação predominante entre ministros é que ele tem conduzido mal a crise provocada pela troca de acusações entre integrantes do tribunal.

Fontes ouvidas pela CNN apontam que a estratégia de tentar ouvir todas as partes e ganhar tempo para reduzir a tensão não funcionou. Na prática, a demora em apresentar alternativas teria permitido que novas decisões fossem tomadas e agravado o quadro dentro do STF.

Decisões ampliaram a tensão no tribunal

Somente nesta semana, Mendonça ordenou o afastamento de Andrei Rodrigues e do delegado responsável pelo setor de inteligência da corporação. Cerca de 24 horas depois, Fachin analisou o recurso apresentado contra a decisão.

O episódio aumentou a pressão sobre o presidente da corte. A decisão posterior determinou que os delegados voltassem aos cargos, em mais um movimento que, segundo magistrados e auxiliares, evidenciou a falta de coordenação na condução da crise.

O conflito ocorre em meio a acusações envolvendo os ministros. Aliados de Fachin sustentam que a situação é inédita na história do tribunal e afirmam que ele não deve ser responsabilizado pelo impasse.

Aliados defendem atuação de Fachin

Na avaliação desse grupo, a responsabilidade pelo agravamento da crise estaria relacionada a Moraes, por causa da relação com o ex – banqueiro Daniel Vorcaro, e a Mendonça, pela forma e pelo momento escolhidos para agir contra o colega.

Os aliados também consideram que o perfil de Fachin pode contribuir para uma solução institucional. Ele não pertence a nenhuma das alas do tribunal, o que poderia ajudá – lo a atuar como um ponto de equilíbrio entre os ministros.

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Apesar dessa defesa, os dois grupos do STF avaliam que Fachin errou ao considerar possível abrir prazo para manifestações e deixar para depois o julgamento sobre a abertura de investigação contra os dois ministros.

Fachin chegou a ser aconselhado a acelerar a análise do tema. Entre as sugestões recebidas estavam avocar para si as relatorias do Master e do inquérito das fake news, o que enfraqueceria ambos, e pautar o código de ética mesmo sem a garantia de maioria no plenário.

A estratégia seria uma tentativa de fortalecer sua posição na presidência do tribunal. As últimas decisões, porém, deixaram Fachin enfraquecido justamente no momento em que a crise interna do STF se intensificou.