Prédio de 20 andares em Porto Alegre ameaça sítio arqueológico e gera polêmica

Iphan pede a suspensão da obra da Melnick ao lado da antiga Cervejaria Brahma, perto da rua Gonçalo de Carvalho

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Foto: Reprodução
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Controvérsia em Porto Alegre: prédio de 20 andares em área com sítio arqueológico

Um projeto polêmico está gerando debates em Porto Alegre. A incorporadora Melnick busca construir um edifício de 20 andares, com mais de 60 metros de altura, na avenida Cristóvão Colombo, próximo à famosa rua Gonçalo de Carvalho, considerada uma das mais bonitas do Brasil.

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A iniciativa, que envolve a construção de um estacionamento gastronômico ao lado do Shopping Total, foi autorizada pela Prefeitura Municipal, mas enfrenta forte resistência de moradores e ativistas ambientais.

Iphan pede suspensão das obras por risco a sítio arqueológico

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitou a suspensão das obras devido ao risco de danificar um sítio arqueológico protegido, a antiga Cervejaria Brahma. A empresa responsável pelo empreendimento, Óleos Vegetais Taquarussu Ltda., detida pelos empresários Bastos Ribeiro (antigos donos do Correio do Povo/Rádio e TV Guaíba), planeja a construção da torre para uso residencial e comercial, já expondo maquetes em seus sites de vendas.

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A situação levanta questões sobre o impacto ambiental e a preservação do patrimônio histórico da cidade.

Desafios e controvérsias na aprovação do empreendimento

A aprovação do empreendimento sem Estudo de Impacto Ambiental, aproveitando regras específicas do 4º Distrito, gerou sérias controvérsias. A comunidade local e o Iphan expressam preocupações sobre os possíveis danos às árvores, ao calçamento e aos bens arqueológicos presentes no local.

A Câmara de Vereadores também está envolvida na discussão, o que aumenta a incerteza sobre o futuro do projeto.

Justificativas da construtora e posicionamento do Iphan

A Melnick afirma que adaptará a execução da obra para evitar escavações profundas, atendendo às exigências do Iphan. No entanto, moradores insistem que a obra viola o bom senso e as regras existentes, destruindo um patrimônio da cidade. O Iphan, por sua vez, exige estudos prévios e autorização federal, solicitando que a construtora formalize um requerimento para construção, apresentando plantas detalhadas e um cronograma de obra.

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O órgão também exige a realização de uma pesquisa arqueológica preventiva.

Regulamentação urbana e impacto do Programa +4D

A Melnick enquadrou o projeto na Lei Complementar Municipal nº 960, de 2022, que institui o Programa +4D de Regeneração Urbana do 4º Distrito, o que, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), dispensou a necessidade de Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) ou do EIA.

A construtora argumenta que o empreendimento é de baixo impacto e já foi considerado “aprovado e licenciado” pela Comissão Técnica de Viabilidade de Edificações (Cevea) da prefeitura. A torre terá subsolo, térreo e 19 pavimentos, com estacionamento em diversos níveis.

Soluções da construtora e garantias

A Melnick garante que os quatro pavimentos de subsolo serão construídos apenas no desnivelamento do terreno, sem a necessidade de escavação. A tipuana, árvore nativa da América do Sul, conhecida por sua madeira frágil e raízes agressivas, será preservada, conforme a construtora.

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