Possível contaminação por metanol em bebida mata 49 e deixa 182 hospitalizados na Nigéria

Uma tragédia provocada pela suspeita de ingestão de bebida alcoólica contaminada com metanol já matou ao menos 49 pessoas no estado de Ondo, no sudoeste da Nigéria. O balanço mais recente foi divulgado nesta sexta – feira (18) pelo secretário estadual de Saúde, Banji Ajaka.
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Além dos mortos, outras 182 pessoas foram hospitalizadas com sintomas graves.
A emergência sanitária veio a público no dia 5 de setembro, quando as autoridades contabilizavam 29 óbitos apenas na primeira semana após o consumo da bebida. De acordo com Ajaka, o número de vítimas fatais saltou para 49 até esta sexta. A polícia local já prendeu um suspeito relacionado ao caso.
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A origem do envenenamento em massa
As investigações apontam que as mortes podem ter sido causadas por envenenamento por metanol presente no gin “Monkey Trail”, uma bebida produzida de forma artesanal e sem qualquer tipo de regulamentação. Esse tipo de produto é comum na Nigéria por ser barato e de fácil acesso para a população.
Segundo Ajaka, a situação foi diretamente ligada a duas cerimônias tradicionais realizadas no distrito de Odigbo. Durante os eventos, os convidados consumiram o álcool que, suspeita – se, estava contaminado. “O padrão da doença e o histórico relatado de exposição levantaram forte suspeita epidemiológica de exposição a uma provável intoxicação.
No entanto, ainda não temos evidências laboratoriais”, afirmou o secretário em comunicado oficial.
As vítimas relataram uma série de sintomas severos, como dores de cabeça intensas, dores no corpo, dificuldades para respirar, alteração do estado de consciência e até cegueira. “Isso aconteceu rapidamente. Assim que consomem a bebida, dependendo da quantidade, os rins param de funcionar, a visão é perdida e o cérebro sofre danos”, descreveu Ajaka, destacando a gravidade do quadro clínico.
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O alerta para bebidas artesanais e o precedente no Brasil
O caso nigeriano reacende o debate sobre os riscos do consumo de bebidas alcoólicas não fiscalizadas. A produção caseira e a venda informal são práticas comuns em diversas regiões do país africano, o que dificulta o controle sanitário e abre margem para tragédias como essa.
No Brasil, um episódio semelhante ocorreu em outubro do ano passado. O país enfrentou uma crise relacionada à intoxicação por metanol, provocada por operações de falsificação e manipulação ilegal de bebidas alcoólicas. O caso brasileiro, assim como o da Nigéria, expôs a vulnerabilidade de consumidores que recorrem a produtos de baixo custo sem garantia de procedência.
As autoridades de Ondo seguem em alerta e aguardam resultados de exames laboratoriais para confirmar a causa exata das mortes. Enquanto isso, a polícia mantém um suspeito preso e investiga a origem do lote de “Monkey Trail” que teria sido servido nas cerimônias.
A população da região foi orientada a evitar o consumo de bebidas de origem duvidosa e a procurar atendimento médico ao primeiro sinal de sintomas. *Com informações da Reuters.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



