Polipílula brasileira pode prevenir AVC, infarto e demência em novo estudo

Estudo do Hospital Moinho dos Ventos recruta 8 mil voluntários para testar efeitos da combinação de medicamentos.

A avaliação médica do coração é fundamental para pacientes com fatores de risco

Uma pesquisa brasileira quer testar se uma única pílula, que combina três medicamentos diferentes, pode prevenir AVC, infarto e até mesmo frear o declínio cognitivo. O estudo é liderado pelo Hospital Moinho dos Ventos, no Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério da Saúde e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo.

A nova fase do projeto começa agora a recrutar voluntários e pretende reunir mais de 8 mil participantes.

Conhecida como polipílula, a fórmula reúne dois remédios usados no controle da pressão arterial e um terceiro para reduzir o colesterol. A ideia central é simplificar o tratamento e, com isso, aumentar a adesão dos pacientes. Mas os pesquisadores querem ir além: eles também vão investigar se a estratégia ajuda a proteger o cérebro contra problemas como demência.

Quem pode participar da pesquisa

O foco do estudo são pessoas que ainda não têm risco cardiovascular elevado, mas já apresentam sinais de alerta. O público – alvo inclui voluntários com pressão arterial sistólica entre 121 e 139 mmHg — uma faixa em que o perigo de infarto e AVC começa a crescer de forma progressiva, segundo os pesquisadores.

A previsão é que todos os participantes sejam acompanhados por, no mínimo, três anos. Durante esse período, a equipe médica vai monitorar os efeitos da polipílula e também de outras estratégias voltadas à promoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e abandono do tabagismo.

Resultados da primeira fase e o cenário do AVC no Brasil

Essa nova etapa amplia os achados positivos de uma fase anterior do estudo. Na primeira rodada, os voluntários foram acompanhados por nove meses e apresentaram redução significativa da pressão arterial sistólica, melhora nos indicadores de saúde cardiovascular e maior adesão à prática de exercícios físicos.

Agora, a pesquisa ganhou escala e vai avaliar também possíveis impactos sobre a função cognitiva dos participantes.

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O Brasil é um dos países com maior incidência de AVC (Acidente Vascular Cerebral) do mundo, segundo a SBAV (Sociedade Brasileira de AVC). Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre janeiro e março de 2026, o total de mortes pela doença chegou a 20.461 — uma média de 229 por mês, o que equivale a 9 mortes a cada hora.

No ano passado, o número de óbitos foi de 89.490, com 91.912 casos registrados no total.