Polícia de Londres prende 139 em ato pró-Ação Palestina diante da Embaixada dos EUA
Ao menos 139 pessoas foram presas neste sábado, 31, em Londres, durante um protesto de apoio à Ação Palestina (Palestine Action), organização proibida pelo governo britânico desde 2025. O ato reuniu centenas de manifestantes em frente à Embaixada dos Estados Unidos, na região de Nine Elms, no sudoeste da capital.
Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, a maior parte das prisões aconteceu porque os participantes demonstraram apoio ao grupo, que as autoridades britânicas classificam como terrorista. Pelo X, a corporação afirmou que seus agentes seguiam no local e que novas detenções poderiam ser feitas.
Como foi o protesto em frente à embaixada
A manifestação foi convocada pela associação Defend Our Juries, que previa cerca de 400 participantes. Nos cartazes e nas bandeiras palestinas, lia-se a frase “Eu me oponho ao genocídio, eu apoio a Ação Palestina“.
Imagens da imprensa britânica mostram policiais retirando manifestantes e levando os detidos para viaturas. Parte da multidão aplaudiu os presos e cantou palavras de ordem em defesa da Palestina. Antes do ato, a polícia já tinha avisado que qualquer pessoa que demonstrasse apoio ao grupo poderia ser presa.
Também foi decretada uma ordem de dispersão nas imediações da embaixada americana, o que permitiu aos agentes mandar participantes deixarem a área.
O que disse o comandante da operação
“Todos aqueles que pretendem comparecer a este evento sabem que apoiar uma organização proibida é ilegal. Eles estão essencialmente se reunindo para cometer um crime propositalmente”, afirmou Adam Slonecki, comandante responsável pela operação.
De acordo com Slonecki, as medidas também podem atingir quem organizou o protesto, quem deu suporte logístico ou quem orientou os participantes. Ele ressaltou, porém, que a ação não visa barrar a expressão de opiniões políticas, e sim aplicar a lei britânica onde houver crimes.
Por que o grupo foi proibido no país
A Ação Palestina recebeu a classificação de organização terrorista em 2025, depois de uma sequência de ações contra instalações militares e empresas da indústria de defesa israelense. Entre os casos citados pelas autoridades estão a depredação de uma base da Força Aérea Real britânica (RAF) e ataques a unidades da fabricante de armamentos Elbit Systems.
Desde junho de 2025, apoiar o grupo em público passou a ser enquadrado como infração na legislação antiterrorista. A medida foi contestada na Justiça. Em fevereiro de 2026, a Alta Corte britânica a considerou desproporcional, mas em junho o Tribunal de Apelações manteve a proibição.
A cofundadora da organização, Huda Ammori, questiona a classificação, e o caso será analisado pela Suprema Corte em audiência prevista para começar na quarta-feira, 4 de novembro.
Mais de 4 mil pessoas detidas, segundo organizadores
A Defend Our Juries afirma que mais de 4 mil pessoas foram detidas desde que a proibição entrou em vigor, em julho de 2025. O levantamento é da própria associação, que vê a lei antiterrorista sendo usada contra quem participa de atos pacíficos e argumenta que a proibição limita a liberdade de expressão e de manifestação.
As autoridades, por sua vez, sustentam que as prisões decorrem do apoio público a uma organização formalmente proibida.
Também houve ato em frente ao consulado americano em Edimburgo, na Escócia. Segundo a polícia escocesa, ninguém foi preso nessa manifestação.
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