Polícia Federal lança Operação Miragem e bloqueia R$ 670 milhões do banco Digimais

A Operação Miragem revela um esquema de fraudes no banco Digimais

23/06/2026 12:36

3 min

Imagem de moedas e cédulas de Real
Imagem de moedas e cédulas de Real

A Polícia Federal (PF) lançou, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Miragem, com a intenção de desmantelar um esquema complexo de fraudes relacionadas a crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A operação envolve a gestão da instituição financeira Digimais, que pertence ao grupo do bispo Edir Macedo.

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Durante a ação, foram bloqueados mais de R$ 670 milhões associados ao banco e os direitos de sigilo bancário e fiscal dos investigados foram suspensos. Mais de 50 agentes da PF estão cumprindo nove mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça Federal em São Paulo.

Contexto da Operação e Comparações com Casos Anteriores

A Operação Miragem traz à tona lembranças do escândalo envolvendo o Banco Master, que gerou grandes repercussões no mercado financeiro. Gustavo Moreira, planejador financeiro e especialista em investimentos, observa que, embora seja prematuro fazer uma comparação direta entre os dois casos, as semelhanças estruturais já estão sendo discutidas por analistas do setor. “O caso Master levou meses para que sua verdadeira extensão fosse entendida.

A Operação Miragem está apenas começando, e o progresso das investigações permitirá avaliar a gravidade dos problemas se forem confirmados”, declara Moreira.

Ele ressalta ainda que ignorar as semelhanças que começam a surgir entre as duas instituições não seria adequado. A investigação foi motivada pela comercialização de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) considerados impraticáveis, utilizando o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como garantia.

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O Digimais é alvo de suspeitas de manipulação contábil e ocultação da real situação financeira da empresa.

Irregularidades e Impactos no Mercado Financeiro

Enquanto o Banco Master era conhecido por emitir títulos de renda fixa sem lastro real, o Digimais destaca em seu site que iniciou suas operações em 1981. Desde o ano passado, a carteira de crédito do banco se concentra principalmente no financiamento de veículos (52%) e em outros negócios (42%).

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No entanto, irregularidades dentro do Digimais chamaram a atenção tanto do Banco Central quanto da Polícia Federal.

Moreira explica que o Digimais teria utilizado fundos de investimento para continuar emitindo títulos de captação, como CDBs, mesmo diante de um cenário financeiro desfavorável. “Esse mecanismo é semelhante ao que foi investigado no caso anterior: a oferta de taxas de retorno superiores às do mercado, com a proteção do FGC atraindo investidores”, avalia o especialista.

A instituição possui convênios com a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual, representando 60% e 25% da sua carteira de convênios. Esse aspecto também estabelece um ponto em comum com o Banco Master, que tinha bilhões aplicados em letras financeiras antes da sua liquidação.

Perspectivas Futuras e Possíveis Consequências

Antes da liquidação do Banco Master, houve tentativas frustradas de venda. O Banco de Brasília (BRB) apresentou uma proposta bilionária para adquirir parte da instituição financeira. Agora, com a situação do Digimais se tornando crítica, especialistas já discutem a possibilidade de liquidação semelhante àquela enfrentada pelo Banco Master.

Na última segunda-feira (22), um dia antes das investigações relacionadas ao Digimais começarem, a agência Fitch rebaixou a classificação nacional do banco e alertou sobre uma possível falência. A análise indicou que a margem de segurança do Digimais é “muito baixa” e destacou que sua operação é vulnerável à deterioração do ambiente econômico.

Ainda não há confirmação oficial sobre uma possível liquidação da instituição ligada ao bispo Edir Macedo. No entanto, essa possibilidade já estava sendo considerada por especialistas antes mesmo da Operação Miragem, especialmente devido à magnitude das irregularidades apontadas nas investigações.

Segundo Moreira, um eventual processo desse tipo poderia acarretar um ônus estimado em R$ 8 bilhões para o FGC, o que tornaria essa decisão extremamente sensível sob o ponto de vista regulatório.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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