Polícia Federal investiga fraude no Banco Digimais, controlado por Edir Macedo
Polícia Federal investiga fraude no Banco Digimais, controlado por Edir Macedo
A Polícia Federal deflagrou, na última quarta-feira, 23 de junho de 2026, a Operação Miragem, uma investigação que apura possíveis esquemas de fraude envolvendo o Banco Digimais. A corporação investiga a gestão da instituição financeira, que é controlada por Edir Macedo, fundador da emissora Record e detentor do controle do banco.
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As apurações visam determinar se houve manipulação de registros contábeis e financeiros, levantando questionamentos sobre a real saúde econômica do Digimais perante os órgãos reguladores.
Escopo da Investigação e Alegações de Fraude Contábil
As apurações da PF são baseadas em relatórios emitidos pelo Banco Central. De acordo com o órgão de controle, os investigados teriam realizado manobras para alterar demonstrativos contábeis e registros regulatórios. O objetivo dessas supostas ações seria ocultar a verdadeira situação financeira do banco, fazendo-o parecer mais solvente do que realmente era.
Essa aparente solvência, segundo os relatórios, teria sido utilizada para viabilizar operações que seriam consideradas irregulares.
A gravidade das alegações reside na potencial distorção das informações fornecidas ao mercado e aos órgãos de fiscalização. Manobrar dados contábeis de uma instituição bancária de grande porte como o Digimais pode gerar um risco sistêmico, afetando a confiança do público e a estabilidade do setor financeiro.
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Em um movimento anterior, o BTG confirmou que havia estabelecido um valor de referência para a possível alienação da totalidade das ações do Digimais. Este processo, que seria lançado em um ambiente competitivo, exigiria, entre outros fatores, a aprovação regulatória tanto do Banco Central quanto da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Histórico Corporativo e Situação Financeira do Banco Digimais
O Banco Digimais possui um histórico que remonta a 1981, quando operava sob o nome de Banco Renner. A instituição passou por uma significativa reestruturação em 2020, momento em que adotou sua atual denominação e foi adquirida pelo Grupo Record.
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Desde então, o banco consolidou sua operação como um banco digital, atendendo uma base de mais de 145 mil clientes e contando com mais de 150 colaboradores.
Apesar das investigações, a instituição divulgou dados financeiros que indicam robustez. Na última demonstração financeira, referente a 31 de dezembro de 2025, o Digimais reportou um lucro líquido de R$ 31 milhões. Além disso, o banco afirmou manter uma política de liquidez muito forte, contando com um caixa equivalente a 2,7 vezes seu patrimônio líquido.
Esse caixa está totalmente alocado em títulos públicos federais, garantindo liquidez diária.
Em maio de 2026, o Banco Digimais emitiu uma nota oficial negando veementemente reportagens que apontavam irregularidades contábeis ou qualquer manobra para esconder prejuízos. A instituição classificou tais acusações como “completamente inverídicas”, afirmando que as publicações visavam apenas prejudicar sua imagem no mercado.
O controle acionário do Digimais, detido por Edir Macedo, é um fato que se estende por mais tempo. O empresário era acionista minoritário do banco desde 2009, mesmo após a aquisição do controle total em 2020. O cenário de aquisições também teve reviravoltas recentes, como o negócio de janeiro de 2025, que foi cancelado, apesar de ter envolvido um valor de R$ 800 milhões.
Diante do cenário de investigações da Polícia Federal e das declarações de negação da própria instituição, o Banco Digimais reafirmou seu compromisso em operar com “segurança e integridade”, mantendo-se à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.