Fábio Zema propõe foco em homens no Bolsa Família

O pré-candidato à Presidência da República, ex-governador de Minas Gerais, Fábio Zema, anunciou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, propostas de alteração significativas para o programa Bolsa Família. Segundo o ex-administrador, caso eleito, o governo não exigiria mais que mulheres beneficiárias realizassem estudos obrigatórios, focando o incentivo educacional prioritariamente em homens jovens e adultos.
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As declarações foram feitas durante um evento intitulado “Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, realizado em Brasília, e visam reestruturar a assistência social para estimular a autonomia financeira e a inserção no mercado de trabalho formal.
Propostas de Reestruturação do Benefício e Foco de Gênero
Durante a coletiva, Zema justificou a diferenciação de foco, argumentando que as mulheres possuem “outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens”. Ele defendeu que o apoio governamental deveria direcionar esforços para o público masculino, estimulando-o a concluir etapas da educação básica e buscar ativamente oportunidades de emprego.
A visão do ex-governador é que a permanência prolongada em programas de transferência de renda, sem o devido acompanhamento de qualificação profissional, impede o desenvolvimento e a capacidade de inserção dos indivíduos no mercado de trabalho.
Ele alertou que essa situação “perpetua uma geração que eu tenho denominado quase que de imprestáveis”, incapaz de atender às demandas de um mercado cada vez mais complexo e exigente em conhecimento.
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Zema criticou o que classificou como práticas de “populismo” e “paternalismo” em políticas públicas, defendendo que o Estado deve criar mecanismos que incentivem a transição gradual dos beneficiários para empregos formais e autossustentáveis.
Incentivo à Formalização e o Prêmio de Transição
Um dos pontos centrais de sua proposta é o incentivo financeiro para que os beneficiários deixem o programa social após conseguirem uma fonte de renda formal. O ex-governador propôs o pagamento de um bônus de R$ 5.000 para quem cumprir essa condição.
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Em termos de viabilidade econômica, ele calculou que, considerando o pagamento mínimo do benefício, de R$ 600, seriam necessários aproximadamente 8,3 meses para que o prêmio fosse totalmente quitado. Segundo Zema, esse investimento seria compensado pela arrecadação tributária gerada com a formalização do trabalhador e pela consequente redução do valor pago em benefícios sociais.
O discurso do mineiro busca, portanto, transformar o recebimento do auxílio em um estágio de transição, e não em um estado permanente de dependência. Ele enfatizou que o objetivo maior é desestimular a dependência do programa e promover a autonomia econômica.
Em um contexto mais amplo, o Bolsa Família é reconhecido como o maior programa de transferência de renda do Brasil. Dados recentes indicam que, em junho, 19,35 milhões de famílias receberam um benefício com média de R$ 677,66. Em novembro de 2025, o cadastro abrangia 18,66 milhões de famílias, evidenciando a magnitude do suporte social em vigor.
A proposta de Zema sinaliza uma mudança de paradigma na gestão de políticas sociais, priorizando a condição de trabalho formal e a qualificação em detrimento da manutenção do benefício sem critérios de desenvolvimento.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



