Polícia Federal inicia investigações sobre uso de recursos parlamentares para combate à seca
A investigação da Polícia Federal busca assegurar a correta aplicação de R 20,7 bilhões em emendas parlamentares destinadas ao combate à seca.
A Polícia Federal (PF) iniciará investigações sobre o uso de recursos parlamentares que foram destinados a ações de combate aos efeitos da seca. A decisão foi tomada na terça – feira (14), quando o ministro Flávio Dino, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, enviou dois relatórios elaborados pela Controladoria – Geral da União (CGU) à Direção – Geral da corporação.
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A iniciativa visa garantir maior transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares. A PF poderá usar os documentos para complementar inquéritos já existentes ou abrir novas investigações, dependendo da análise feita pela autoridade policial.
Relatórios e irregularidades identificadas
Um dos relatórios examina as chamadas emendas PIX, que permitem a transferência direta de recursos indicados por deputados e senadores para estados e municípios, sem necessidade de convênios com o governo federal. Desde a implementação dessa modalidade, R 20,7 bilhões foram alocados a estados, ao Distrito Federal e a municípios.
No relatório parcial, a CGU analisou uma amostra de 15 municípios de todas as cinco regiões do Brasil. Dentre eles, um ainda não havia utilizado os recursos recebidos. Entre os 14 que já tinham executado as verbas, nove apresentaram algum tipo de irregularidade na aquisição de bens ou na contratação de serviços.
Os casos mais graves apontam indícios de direcionamento nas contratações, além de sobrepreço e superfaturamento. Apenas quatro municípios foram considerados regulares nesse aspecto.
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Além disso, a CGU destacou falhas no monitoramento dos recursos. Dos 15 municípios avaliados, 14 foram classificados como inadequados em relação aos mecanismos utilizados para acompanhar a execução das emendas, e nenhum foi considerado plenamente adequado.
Emendas no Dnocs sob investigação
O segundo relatório enviado à PF aborda a execução das emendas parlamentares no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), uma autarquia ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Os recursos têm como objetivo apoiar projetos de desenvolvimento sustentável local.
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Embora o conteúdo do relatório da CGU esteja sob sigilo, a decisão do ministro Flávio Dino não revela os valores analisados nem os responsáveis envolvidos ou possíveis problemas detectados. Além do encaminhamento à Polícia Federal, Dino também determinou a abertura de um processo separado no Supremo Tribunal Federal (STF) para acompanhar o caso sob sigilo.
Dino criticou a “terceirização de emendas” e estabeleceu um prazo de 30 dias para que sejam apresentadas explicações sobre as irregularidades identificadas.