Polícia de SP pede dados do Coaf sobre produtora de Dark Horse desde maio
Dino determina que Coaf entregue à polícia dados financeiros de produtora de filme sobre Bolsonaro.
A Polícia Civil de São Paulo busca desde maio dados financeiros do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre Karina Ferreira da Gama e o ICB (Instituto Conhecer Brasil). A solicitação, que mira movimentações bancárias e operações suspeitas, foi levada à Justiça paulista e reforçada ao longo das apurações.
O ministro Flávio Dino, do STF, atendeu ao pedido e determinou que o órgão entregue as informações “nos exatos termos solicitados pelo delegado de Polícia no mês de maio”.
A investigação corre em sigilo e apura desvio de recursos públicos que teriam sido recebidos pelo ICB. A polícia quer saber se os valores do contrato do programa WiFi Livre SP, firmado com a Prefeitura de São Paulo, foram usados corretamente na execução do serviço ou se acabaram desviados para outros fins — como bancar a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex – presidente Jair Bolsonaro.
Karina preside o ICB e também controla a Go Up Entertainment, produtora do longa.
O que os investigadores querem saber
O pedido abrange operações financeiras a partir de 20 de junho de 2024, data em que o contrato entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo foi assinado. A cobertura inclui movimentações atípicas e comunicações de transações suspeitas envolvendo Karina, o instituto e empresas subcontratadas.
Para Dino, os dados do Coaf podem confirmar ou descartar linhas de investigação ainda em andamento.
A decisão do ministro foi tomada no mesmo despacho em que ele determinou a publicidade do material enviado pela Justiça de São Paulo ao Supremo. Também ordenou a transferência à Polícia Federal de celulares, computadores, documentos e dados já extraídos pela Polícia Civil paulista.
Leia também
Na prática, a apuração foi centralizada na PF, sob supervisão do STF.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa de Karina Gama afirmou que recebe “com absoluto respeito” a decisão de Dino de levantar o sigilo da investigação. Os advogados disseram que já apresentaram voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentação às autoridades.
Segundo a defesa, Karina sustenta não ter cometido qualquer ilícito e acredita que a publicidade dos autos permitirá que os fatos sejam analisados “para além de especulações ou juízos antecipados”.
O contrato que está no centro da investigação é de R 108 milhões, firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB. O acordo previa a instalação, operação e manutenção de 5.000 pontos de internet gratuita em comunidades da capital, pelo programa WiFi Livre SP.
A Polícia Civil apura possíveis irregularidades na contratação e execução do serviço, como pagamentos antecipados, suspeitas de pagamentos em duplicidade, notas fiscais irregulares e a instalação de menos pontos do que o previsto.
O papel do filme na investigação
O filme “Dark Horse” entrou na mira dos investigadores porque Karina controla a produtora Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia de Jair Bolsonaro. A hipótese da polícia é que recursos públicos recebidos pelo ICB no contrato do WiFi Livre SP tenham sido desviados para bancar a produção do longa.
O caso também apura irregularidades na aplicação de emendas parlamentares destinadas ao ICB, entre elas recursos indicados pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL – SP.
A Prefeitura de São Paulo nega irregularidades no contrato. Em nota, a administração afirma que nenhum recurso municipal foi destinado ao filme. A prefeitura também sustenta que o programa permanece em funcionamento, com 3.200 pontos de internet já instalados.