Polícia Civil de SP aponta violência excessiva; PM é solto e fica sob cautelares

Camila Pereira da Silva aguardava transplante de fígado havia cerca de dois anos; o PM foi suspenso de funções operacionais e teve o porte de arma restringido.

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Polícia Civil de SP aponta violência excessiva; PM é solto e fica sob cautelares

A Polícia Civil de São Paulo apontou que houve uso excessivo e não progressivo de violência na morte de Camila Pereira da Silva, de 32 anos, baleada por um policial militar na tarde de 15, em Pirituba, zona norte da capital paulista.

O delegado responsável descartou a legítima defesa, mas ressaltou que a avaliação é técnica e não antecipa um juízo de culpa. O policial foi solto após audiência de custódia realizada na sexta-feira (16) e está sujeito a medidas cautelares.

Delegado considera reação desproporcional

De acordo com o boletim de ocorrência, o policial teria assumido o risco de matar Camila. Ela estava sozinha e, segundo o documento, não apontava a faca na direção dos pelo menos três agentes que estavam no local, uma área aberta com mais possibilidades de afastamento.

O delegado avaliou que a “reação foi manifestamente desproporcional” e que o agente ultrapassou conscientemente os limites da necessidade e da moderação, conduta punível. A análise, porém, pode ser reavaliada.

Camila tinha problemas graves de saúde

Marina Pereira da Silva, tia de Camila, disse em depoimento que a sobrinha enfrentava problemas graves de saúde havia cerca de cinco anos. Ela estava na fila de transplante de fígado havia aproximadamente dois anos e precisava ir ao hospital semanalmente, o que comprometia sua qualidade de vida e a impedia de trabalhar.

Segundo a tia, Camila não tinha diagnóstico de transtorno psiquiátrico ou doença mental. Marina também relatou que, em sua avaliação, a sobrinha vivia um relacionamento conturbado e sofria episódios de violência psicológica por parte de Diogo.

Os policiais, por outro lado, afirmaram em depoimento que Camila estava em surto psicótico. Nesse caso, segundo o relato, deveria ter sido adotada uma abordagem de contenção, em vez de neutralização.

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Policial cumpre medidas cautelares

O PM foi suspenso das atividades operacionais e das funções que exigem porte de arma de fogo. Ele ficará restrito a tarefas administrativas e não poderá deixar a cidade por mais de oito dias sem autorização.

O descumprimento de qualquer medida pode levar à prisão do agente. A corregedoria da Polícia Militar de São Paulo foi acionada e investiga o caso.

O advogado do policial, Gilberto Quintanilha Pucci, considera a prisão arbitrária e afirma que o cliente atuou institucionalmente. Em nota, a defesa disse que o agente “atuou no exercício de suas funções institucionais, empregando os meios e equipamentos de que dispunha naquele momento, em conformidade com o treinamento recebido e com os protocolos operacionais estabelecidos pela própria Polícia Militar”.

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