PM reformado que atropelou e matou estudante de medicina é denunciado por homicídio qualificado

O MPSP aponta premeditação e pede que ex-policial, preso desde o atropelamento, enfrente júri popular pela morte de Mariana.

Líder foi preso com fuzil e colete com onome da equipe

O denunciado, identificado como Jairo da Silva, de 59 anos, responderá por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A denúncia foi apresentada pelo promotor Fábio Cury e agora aguarda decisão do juiz sobre o recebimento.

Jairo da Silva está preso desde o dia do crime, quando foi detido em flagrante após atropelar Mariana na calçada da Avenida Europa, na região dos Jardins. A jovem cursava o quinto ano de medicina e estava a caminho da faculdade quando foi atingida.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou à Justiça, nesta quinta – feira (13), o policial militar reformado que atropelou e matou a estudante de medicina Mariana Faria Soares, de 22 anos, na Avenida Europa, em São Paulo. O crime aconteceu em 11 de setembro de 2025.

Reconstituição e provas do caso. As investigações apontam que Jairo da Silva teria agido de forma proposital. Câmeras de segurança registraram o momento em que o carro, um Ford Ka prata, acelerou em direção à estudante enquanto ela caminhava pela calçada. O laudo pericial confirmou que o veículo estava em alta velocidade e que a vítima não teve chance de desviar.

A perícia também encontrou no carro um simulacro de arma de fogo, o que reforçou a tese de premeditação sustentada pelo MPSP. Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que o ex – policial demonstrava comportamento agressivo e que já havia discutido com outras pessoas na região antes do atropelamento.

A defesa de Jairo da Silva, por sua vez, alega que ele teve um “surto psicótico” e que não tinha intenção de matar.

Repercussão e posicionamento da família. O caso ganhou grande repercussão nacional e gerou comoção entre estudantes e profissionais da área da saúde. A família de Mariana, que acompanha o processo desde o início, cobra uma punição exemplar e classifica o crime como “covarde e cruel”.

Em nota, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), onde Mariana estudava, lamentou a morte da aluna e prestou solidariedade aos amigos e familiares. A instituição também anunciou a criação de uma bolsa de estudos em homenagem à jovem.

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O MPSP pede que Jairo da Silva seja levado a júri popular. Se condenado, ele pode pegar pena que varia de 12 a 30 anos de prisão, conforme prevê o Código Penal para homicídio qualificado.

Próximos passos na Justiça. Agora, o juiz responsável pelo caso deve analisar a denúncia e decidir se ela será aceita. Se aceita, o ex – policial vira réu e passará a responder ao processo em liberdade ou permanecerá preso, dependendo da avaliação do magistrado. O julgamento, caso seja marcado, será realizado pelo Tribunal do Júri, já que se trata de crime doloso contra a vida.

Até lá, novas perícias e depoimentos podem ser solicitados pelas partes envolvidas. A defesa de Jairo da Silva ainda não se manifestou publicamente sobre a denúncia formal. O advogado, que acompanha o caso desde a prisão do cliente, deve apresentar resposta à acusação nos próximos dias.