Plano Safra 2026 inicia em julho e agronegócio debate financiamento diante de alta inadimplência

O agronegócio brasileiro enfrenta desafios no financiamento com a iminente edição do Plano Safra 2026, marcada por alta inadimplência e margens reduzidas.

29/06/2026 05:51

3 min

Financiamento do agronegócio e crédito rural mudam com estruturas como FDIC e Fiagro
Financiamento do agronegócio e crédito rural mudam com estrutura...

Com a chegada de mais uma edição do Plano Safra, marcada para o dia 1º de julho, o agronegócio brasileiro retoma discussões sobre os recursos públicos disponíveis e a capacidade do modelo atual em financiar o setor, especialmente em um cenário de crescente inadimplência e margens apertadas para os produtores rurais.

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Em entrevista à CNN, Eric Emiliano e Bruno Brandi, da consultoria LK Consulting, destacam que, embora o Plano Safra continue sendo um pilar importante da política agrícola, sua participação no financiamento total do setor tem diminuído ao longo dos anos.

Essa queda não se deve apenas à redução absoluta de recursos, mas sim ao crescimento mais acelerado de outras fontes de financiamento em relação ao funding público.

Alterações no cenário financeiro do agronegócio

Brandi explica que as revendas de insumos e as estruturas de barter inicialmente ganharam destaque como intermediárias de crédito. Contudo, esse modelo perdeu força após ciclos de inadimplência elevados que comprometeram parte dessas operações.

O sistema bancário e o mercado financeiro passaram a ter um papel mais relevante nesse contexto.

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Instituições financeiras como Itaú BBA e Bradesco, além do Banco John Deere, ampliaram sua atuação no financiamento do agronegócio, focando especialmente em grandes produtores e empresas do setor. As cooperativas também se tornaram protagonistas nesse ecossistema, expandindo seu papel na estruturação de crédito, fornecimento de insumos e comercialização.

Os executivos afirmam que a participação das cooperativas na economia do agro subiu de 8% para cerca de 15% do PIB do setor.

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Aumento da inadimplência e suas consequências

A alta da inadimplência é apontada como um fator crucial que alterou o comportamento dos agentes financeiros. As carteiras de crédito no agronegócio saíram de níveis historicamente próximos a 3% de atraso superior a 90 dias para quase 15% em ciclos recentes.

Entre as causas estão a volatilidade dos preços das commodities, o aumento nos custos dos fertilizantes, a baixa cobertura dos seguros agrícolas e os efeitos climáticos adversos.

Emiliano ressalta ainda que muitos produtores fizeram financiamentos altos há três anos, quando os preços dos grãos estavam nas alturas, e agora enfrentam dificuldades para quitá – los. Com isso, o sistema financeiro adotou uma postura mais conservadora em relação ao crédito.

Crédito seletivo e novos instrumentos financeiros

Diante desse cenário arriscado, o acesso ao crédito se tornou mais seletivo, com exigências maiores por garantias reais e uma diminuição nas estruturas baseadas em relações comerciais ou concessões flexíveis. Isso resultou na exclusão dos produtores médios do acesso ao crédito. “Os grandes sempre têm garantias e conseguem se financiar.

Já os pequenos e a agricultura familiar dependem do Plano Safra como principal fonte”, comenta Emiliano.

Como consequência dessa reestruturação financeira, instrumentos do mercado de capitais começaram a ganhar espaço no financiamento agrícola, incluindo FICs (Fundos de Investimento em Cotas) e Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais.

Os especialistas acreditam que a inadimplência no agronegócio levará anos para voltar a patamares baixos; segundo eles, uma normalização pode ocorrer apenas entre 2029 e 2030.

A expectativa é que sem um choque positivo significativo — como uma recuperação acentuada das margens ou uma redução substancial nos custos — o ambiente continuará restritivo para os produtores rurais.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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