Planalto avalia que crise do STF prejudica votação da PEC da escala 6×1 no Senado

Davi Alcolumbre já descartou votar a proposta antes do primeiro turno, enquanto a indústria pede uma transição mais longa para conter custos em 2027.

Sede do Congresso Nacional, em Brasília. Casa é formada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados

O Palácio do Planalto avalia que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal contaminou o ambiente político no Congresso Nacional e atingiu diretamente a tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A avaliação do governo é de que o impasse dificulta a análise da proposta no Legislativo.

“Contaminou, foi essa a palavra que me passaram”, afirmou Larissa Rodrigues durante o Bastidores CNN desta quinta – feira (3). A declaração foi apresentada após apurações da analista de Política da CNN com fontes do governo federal.

Crise no Congresso afeta tramitação da PEC

Larissa Rodrigues lembrou que o Palácio do Planalto já havia recebido uma resposta negativa de Davi Alcolumbre (União – AP) sobre a possibilidade de aprovar a PEC antes do primeiro turno das eleições. A posição indicava que a votação não deveria ocorrer dentro desse prazo.

A discussão também envolve o tempo necessário para que empresas se adaptem às mudanças. Um período de transição mais longo poderia ajudar nesse processo, enquanto uma mudança feita em prazo muito curto aumentaria a pressão sobre setores que já enfrentam custos elevados.

Entre os segmentos preocupados está o industrial, especialmente o de máquinas e equipamentos. Representantes do setor alertam que uma transição muito curta elevaria os custos de forma abrupta e deixaria as empresas ainda menos competitivas diante das importações.

Setor de máquinas teme aumento de custos

Monteiro ouviu de fontes do setor de máquinas e equipamentos que as empresas brasileiras disputam espaço com importadores e com quem traz máquinas de fora. Nesse cenário, os fabricantes teriam custos maiores, mas não conseguiriam repassar esse aumento aos preços.

A dificuldade para reajustar os valores está ligada justamente à concorrência com os produtos importados. Mesmo com despesas mais altas para se adequar às novas regras, as empresas precisariam manter os preços sob pressão para não perder mercado.

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O adiamento da votação pode dificultar o planejamento para 2027, mas, na avaliação apresentada, também teria o efeito de aliviar a pressão imediata sobre as empresas. Elas precisariam se preparar para uma eventual extinção da escala 6×1 e para a adoção da escala 5×2.

Assim, a mudança no calendário de votação envolveria dois efeitos para o setor produtivo: mais incerteza no planejamento para 2027 e, ao mesmo tempo, um prazo maior para adaptação caso a proposta avance no Congresso Nacional.