PL cresce de 14 para 29 cadeiras e vira ameaça ao comando do Senado
PL salta de 14 para 29 cadeiras e ameaça a reeleição de Davi Alcolumbre ao comando do Senado em fevereiro de 2027.
O tabuleiro político para a próxima legislatura do Congresso Nacional já começa a se desenhar. A partir de fevereiro de 2027, a nova composição das Casas muda as correlações de força, acendeu alertas no centrão e alimentou expectativas na direita, que projeta um cenário mais favorável para emplacar sua pauta.
O foco principal do momento é a disputa pela presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro do ano que vem, quando deputados e senadores tomam posse. O atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), tenta a reeleição, mas terá que enfrentar uma oposição maior do que em 2025, quando foi eleito com 73 votos dos 81 possíveis.
PL cresce e mira comando do Senado
Na última eleição para o comando da Casa Alta, o PL tinha 14 senadores e apenas quatro deles votaram em Marcos Pontes (PL-SP). Eduardo Girão (Novo-CE) também ficou com quatro votos. Agora, o cenário é outro. O partido já sinalizou que lançará Rogério Marinho (RN) ou Tereza Cristina (PP) como candidatos à presidência do Senado.
Com 29 cadeiras a partir da próxima legislatura, a legenda precisa de apenas mais 12 votos para garantir a vitória. A conta inclui o apoio de senadores que não estão no PL, mas orbitam a família Bolsonaro, como Marcel Van Hattem (Novo-SC), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Mara Rocha (MDB-AC) e Arthur Lira (PP-AL). O cálculo também leva em conta o segundo turno da eleição presidencial: se Flávio Bolsonaro vencer, a tendência é que o partido atraia ainda mais apoios e ganhe força na Esplanada dos Ministérios.
Alcolumbre mapeia votos e conta com esquerda
Para se reeleger, Alcolumbre já iniciou o mapeamento de votos. O parlamentar conta com o apoio do próprio partido, o União Brasil, que terá cinco senadores. A estratégia é conquistar votos de siglas de centro que não declararam abertamente apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, como o PSD (cinco senadores) e o MDB (oito senadores).
A tendência é que o atual presidente também receba votos dos partidos à esquerda de sua legenda: PT (nove senadores), PSB (quatro senadores), Rede e PDT (um senador cada). Pela segunda legislatura seguida, a federação governista não deve lançar candidato próprio e deve apoiar Alcolumbre na Casa.
O mesmo movimento se repete na Câmara, com apoio ao atual presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).
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Disputa na Câmara deve ser menos acirrada
A reeleição de Hugo Motta na Câmara também não será um passeio. Em 2025, ele recebeu 444 votos e o apoio de um bloco de 17 partidos. Agora, o PL, que elegeu 121 deputados, passou a ventilar o nome de Sóstenes Cavalcante (RJ) para disputar a presidência.
Para vencer em primeiro turno, a sigla precisaria de outros 136 votos.
A diferença para o Senado é que o Republicanos tem Motta como candidato à reeleição e não deve migrar os votos para o deputado bolsonarista. Nesse cenário, Motta garantiria 41 votos, além do apoio da federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e do MDB.
Sozinhos, esses partidos somam 165 votos, além de outros grupos ligados à esquerda, como PSB (15 deputados) e PDT (6 deputados). Na última disputa, Motta concorreu com Marcel Van Hattem (32 votos) e Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ, 22 votos).
O peso de comandar as Casas
Ocupar a presidência do Senado ou da Câmara dá ao partido o poder de pautar projetos no plenário, acelerar tramitações e definir relatorias. O presidente do Senado acumula ainda mais força por comandar o Congresso Nacional, podendo convocar sessões conjuntas.
Ele também pode abrir pedidos de impeachment contra ministros do STF — hoje, a principal pauta da direita no Parlamento. Só o ministro Alexandre de Moraes acumula 55 pedidos de afastamento do Supremo.