Obra de R$ 0 do século XVII é recuperada pela PF no Rio após venda irregular

A pintura do século XVII foi colocada à venda em plataforma internacional e é alvo de busca e apreensão no Rio.

PF deflagra a Operação Peabiru no Alto da Boa Vista

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (30) a Operação Peabiru para investigar a entrada irregular no Brasil de uma pintura de Jesus Cristo do século XVII. A obra, reconhecida pelo Peru como patrimônio cultural do país, teria sido colocada à venda em uma plataforma internacional de obras de arte.

A investigação teve início após uma comunicação oficial da Polícia Nacional do Peru à PF. A partir das informações recebidas, os agentes identificaram indícios que ligam a pintura a uma empresa com sede no Rio de Janeiro.

Busca e apreensão no Rio de Janeiro

Nesta quarta, policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão no bairro do Alto da Boa Vista, na zona Sul do Rio. O objetivo era localizar a pintura e recolher documentos que possam esclarecer como a obra foi adquirida, de onde veio e como foi transportada e importada para o Brasil.

Dispositivos eletrônicos que possam conter informações sobre a negociação também foram alvo da medida. A PF busca entender em que circunstâncias a peça foi colocada à venda.

Pintura representa o “Señor de los Temblores”

Segundo análise técnica do Ministério da Cultura do Peru, a obra é uma pintura vice-reinal peruana do século XVII, ligada à chamada Escola de Cusco. Essa tradição artística se desenvolveu nos Andes durante o período colonial.

A pintura, intitulada “Magnífico Señor de los Temblores – Escuela Cusqueña, Siglo XVII”, retrata uma representação de Jesus Cristo com importância religiosa e histórica no Peru. O título faz referência à devoção local e à associação da imagem com a proteção contra terremotos.

O governo peruano considera a peça parte do Patrimônio Cultural da Nação. De acordo com a análise enviada à investigação, a obra não poderia ter deixado o território peruano sem uma autorização específica.

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Cooperação internacional e recuperação da obra

A Operação Peabiru integra um esforço de cooperação internacional para combater o tráfico de bens culturais. O Brasil atua com base nos compromissos da Convenção da UNESCO de 1970, promulgada no país pelo Decreto nº 72.312/1973.

Caso a investigação confirme que a pintura foi retirada irregularmente do Peru, a cooperação entre os dois países poderá permitir a recuperação e o eventual retorno da obra ao patrimônio cultural peruano. A PF apura desde a retirada do Peru até a entrada no Brasil e a oferta no mercado de arte.

O significado do nome Peabiru

O nome da operação faz referência ao Caminho do Peabiru, uma antiga rede de trilhas indígenas que conectava diferentes regiões da América do Sul e alcançava áreas próximas à Cordilheira dos Andes. Segundo a PF, a escolha representa a conexão histórica entre o Brasil e a região andina.

No contexto da investigação, a referência simboliza o percurso inverso feito pelo bem cultural. Em vez de seguir uma antiga rota de conexão entre povos, a operação busca reconstruir o caminho percorrido pela pintura para identificar como ela deixou o Peru e chegou ao Brasil.