Petróleo achado por agricultor no Ceará: relembre a cronologia do caso até 2026
A decisão da ANP não libera a extração imediata: a área ainda precisa de estudos ambientais, avaliações geológicas e autorizações antes de eventual leilão.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aprovou nesta sexta – feira (4) a inclusão do sítio onde o agricultor Sidrônio Moreira encontrou petróleo, em Tabuleiro do Norte, no sertão do Ceará, em um bloco exploratório.
A área integra a indicação de 24 novos blocos terrestres na Bacia Potiguar.
O terreno está dentro do bloco POT – T-551 e passou pela etapa inicial da modalidade de leilão contínuo de áreas para exploração de petróleo e gás. A decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria da ANP, mas não autoriza o início imediato da extração.
Área ainda depende de estudos e autorizações
Antes de qualquer exploração comercial, serão necessárias avaliações ambientais, novos estudos geológicos e autorizações de órgãos e ministérios responsáveis. Só depois dessas etapas poderá ser publicado um edital e escolhida uma empresa para atuar na área.
A descoberta começou em novembro de 2024, quando Sidrônio Moreira perfurou um poço artesiano para enfrentar problemas de abastecimento de água na região. O agricultor contratou um empréstimo de R 15 mil para realizar o serviço.
Depois que a perfuração passou de 40 metros, surgiu um material escuro e inflamável no lugar da água. Uma segunda tentativa foi feita a 50 metros do primeiro ponto. O mesmo líquido viscoso apareceu novamente, desta vez a 23 metros de profundidade, e as escavações foram interrompidas de forma definitiva.
Em dezembro de 2024, uma equipe do IFCE (Instituto Federal do Ceará) recebeu o relato de que um “óleo” havia sido encontrado no poço. Já em junho de 2025, um filho do agricultor levou fotos e vídeos do material ao campus do IFCE em Tabuleiro do Norte.
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Testes confirmaram petróleo cru
A família fez a notificação oficial do caso à ANP em julho de 2025. Depois, o IFCE acionou o Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi – árido (NPCO 2/Ufersa), que analisou a amostra apresentada pelos moradores.
Também em julho de 2025, o IFCE notificou a ANP sobre a descoberta, conforme previsto na legislação. Em fevereiro de 2026, o instituto divulgou testes físico – químicos que apontaram semelhança entre a substância e o petróleo extraído em terra.
Técnicos da ANP estiveram na propriedade em março de 2026, quando entrevistaram a família e recolheram amostras para exames em laboratório oficial. Equipes da ANP e da Semace também visitaram a zona rural de Tabuleiro do Norte.
Em maio de 2026, a ANP confirmou à família que o material encontrado no poço era petróleo cru. Apesar de ter recebido propostas após a repercussão do caso, a família afirma que não pretende vender a propriedade de 49 hectares.
Direitos e compensações financeiras
A aprovação da área pela ANP ocorreu em setembro de 2026, quando a diretoria indicou os 24 novos blocos, incluindo o terreno do agricultor Sidrônio Moreira. A medida, porém, representa apenas mais uma fase do processo de avaliação da possível jazida.
A Constituição Federal e a Lei nº 9.478/1997 determinam que os recursos minerais do subsolo pertencem exclusivamente à União. Por isso, o proprietário da terra não pode explorar nem comercializar o combustível por conta própria.
Se os estudos confirmarem a viabilidade econômica da jazida e a produção comercial começar, o agricultor terá direito a uma participação entre 0,5% e 1% do valor produzido no local.