Petróleo achado por agricultor no Ceará: relembre a cronologia do caso até 2026

A decisão da ANP não libera a extração imediata: a área ainda precisa de estudos ambientais, avaliações geológicas e autorizações antes de eventual leilão.

07/09/2026 00:50

3 min

Testes indicaram que se trata de uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades semelhantes às do petróleo extraído em terra na Bacia Potiguar
Testes indicaram que se trata de uma mistura de hidrocarbonetos ...

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aprovou nesta sexta – feira (4) a inclusão do sítio onde o agricultor Sidrônio Moreira encontrou petróleo, em Tabuleiro do Norte, no sertão do Ceará, em um bloco exploratório.

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A área integra a indicação de 24 novos blocos terrestres na Bacia Potiguar.

O terreno está dentro do bloco POT – T-551 e passou pela etapa inicial da modalidade de leilão contínuo de áreas para exploração de petróleo e gás. A decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria da ANP, mas não autoriza o início imediato da extração.

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Área ainda depende de estudos e autorizações

Antes de qualquer exploração comercial, serão necessárias avaliações ambientais, novos estudos geológicos e autorizações de órgãos e ministérios responsáveis. Só depois dessas etapas poderá ser publicado um edital e escolhida uma empresa para atuar na área.

A descoberta começou em novembro de 2024, quando Sidrônio Moreira perfurou um poço artesiano para enfrentar problemas de abastecimento de água na região. O agricultor contratou um empréstimo de R 15 mil para realizar o serviço.

Depois que a perfuração passou de 40 metros, surgiu um material escuro e inflamável no lugar da água. Uma segunda tentativa foi feita a 50 metros do primeiro ponto. O mesmo líquido viscoso apareceu novamente, desta vez a 23 metros de profundidade, e as escavações foram interrompidas de forma definitiva.

Em dezembro de 2024, uma equipe do IFCE (Instituto Federal do Ceará) recebeu o relato de que um “óleo” havia sido encontrado no poço. Já em junho de 2025, um filho do agricultor levou fotos e vídeos do material ao campus do IFCE em Tabuleiro do Norte.

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Testes confirmaram petróleo cru

A família fez a notificação oficial do caso à ANP em julho de 2025. Depois, o IFCE acionou o Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi – árido (NPCO 2/Ufersa), que analisou a amostra apresentada pelos moradores.

Também em julho de 2025, o IFCE notificou a ANP sobre a descoberta, conforme previsto na legislação. Em fevereiro de 2026, o instituto divulgou testes físico – químicos que apontaram semelhança entre a substância e o petróleo extraído em terra.

Técnicos da ANP estiveram na propriedade em março de 2026, quando entrevistaram a família e recolheram amostras para exames em laboratório oficial. Equipes da ANP e da Semace também visitaram a zona rural de Tabuleiro do Norte.

Em maio de 2026, a ANP confirmou à família que o material encontrado no poço era petróleo cru. Apesar de ter recebido propostas após a repercussão do caso, a família afirma que não pretende vender a propriedade de 49 hectares.

Direitos e compensações financeiras

A aprovação da área pela ANP ocorreu em setembro de 2026, quando a diretoria indicou os 24 novos blocos, incluindo o terreno do agricultor Sidrônio Moreira. A medida, porém, representa apenas mais uma fase do processo de avaliação da possível jazida.

A Constituição Federal e a Lei nº 9.478/1997 determinam que os recursos minerais do subsolo pertencem exclusivamente à União. Por isso, o proprietário da terra não pode explorar nem comercializar o combustível por conta própria.

Se os estudos confirmarem a viabilidade econômica da jazida e a produção comercial começar, o agricultor terá direito a uma participação entre 0,5% e 1% do valor produzido no local.

A legislação também prevê indenizações por eventuais

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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