Petrobras mantém refino perto do limite, mas parada na Replan deve baixar utilização a 96% em 2027
A Petrobras manteve em outubro o fator de utilização de suas refinarias em 98%, perto dos 99% registrados no terceiro trimestre. A companhia busca, com isso, reduzir a necessidade de importações. A informação foi dada à Reuters pelo diretor de Processos Industriais e Produtos, William França.
Segundo o executivo, as unidades seguem operando próximas da capacidade máxima, dentro das normas de segurança e sem comprometer as operações nem a segurança dos trabalhadores. Houve paradas pontuais no parque, como na Rnest, mas, nas palavras dele, “nada muito grande”.
Refinarias seguem no limite e a estatal já usou reserva técnica
Desde o início da guerra no Oriente Médio, a Petrobras acelerou a produção de petróleo para aproveitar os preços mais altos do Brent. Ao mesmo tempo, elevou o processamento nas refinarias, o que diminuiu a compra de derivados no exterior, sobretudo de óleo diesel.
Para isso, a estatal chegou a recorrer a uma “reserva técnica” do parque de refino e, em alguns momentos, operou acima de 100% da capacidade nominal.
Dezembro terá mais gasolina e menos diesel
Para novembro e dezembro, a expectativa é que a utilização das refinarias continue alta e próxima do limite. Em dezembro, porém, a empresa deve mudar o “mix” de refino, produzindo mais gasolina para atender à demanda do verão brasileiro.
A oferta de diesel também cai nesse período, já que o consumo do combustível diminui após o fim do plantio de verão. “A importação de diesel em dezembro deve ficar em quase zero, com a menor demanda pelo fim da safra”, disse França.
Parada na Replan deve levar utilização a 96% no primeiro semestre de 2027
No primeiro semestre de 2027, o nível de utilização deve recuar por causa de uma parada programada, combinada com obras de ampliação da Replan. A intervenção deve durar cerca de dois meses, entre março e abril, segundo França.
Mesmo com outras refinarias trabalhando mais, o índice não deve se manter perto de 100%. “Deve baixar para cerca de 96%, o que é muito alto para o histórico da companhia”, afirmou o diretor.
Margem de derivados ajuda o caixa e deve puxar o resultado
França afirmou que as margens de derivados tiveram papel central no terceiro trimestre, beneficiadas pelo alto nível de utilização das refinarias e pelos spreads de diesel. “O grande mocinho dessa vez no terceiro trimestre foi a margem de derivados”, disse.
Segundo ele, o spread do diesel chegou a ficar quase no nível do Brent.
Na avaliação do executivo, a companhia produziu e vendeu mais, com preço melhor, o que fortalece o caixa. “Isso vai alavancar o desempenho financeiro”, acrescentou.
Plano de negócios de novembro mira autossuficiência em diesel
O novo plano de negócios da Petrobras deve ser divulgado em novembro. Ele deverá prever investimentos para tornar o Brasil autossuficiente em diesel a partir de 2030.
Hoje o país importa cerca de 30% da demanda pelo combustível, de acordo com França.
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