Pesquisadores propõem reavaliação dos sistemas de saúde na Amazônia diante das mudanças climáticas

Pesquisadores brasileiros propõem repensar os sistemas de saúde na Amazônia, integrando saberes tradicionais e enfrentando desafios climáticos. Descubra as soluções inovadoras!

14/01/2026 07:45

3 min

Pesquisadores propõem reavaliação dos sistemas de saúde na Amazônia diante das mudanças climáticas
(Imagem de reprodução da internet).

Repensando os Sistemas de Saúde na Amazônia Brasileira

Uma equipe de pesquisadores brasileiros publicou um artigo na revista British Medical Journal, defendendo a necessidade de reavaliar os sistemas de saúde na Amazônia em resposta às mudanças climáticas, eventos extremos e insegurança alimentar. Eles sugerem que esse novo modelo deve considerar os saberes tradicionais e as necessidades das comunidades locais.

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Com a realização da COP30 na Amazônia e a criação de um plano nacional de saúde e clima pelo Ministério da Saúde, o artigo propõe caminhos para o Sistema Único de Saúde (SUS) na região. A proposta inclui a criação de indicadores que respeitem as particularidades amazônicas e a valorização de práticas de cuidado adaptadas ao território.

Importância da Adaptação no Setor de Saúde

Gabriela Di Giulio, professora da FSP-USP e uma das autoras do artigo, destaca que o setor de saúde entrou tardiamente nas discussões sobre adaptação às mudanças climáticas. Ela ressalta que eventos extremos, como ondas de calor e enchentes, têm se intensificado, afetando cada vez mais pessoas.

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Os pesquisadores acreditam que reimaginar a saúde na Amazônia envolve fortalecer estratégias que integrem saberes tradicionais, científicos e políticos. Entre as sugestões, está a vigilância em saúde baseada na comunidade, fundamentada em epistemologias indígenas.

Valorização dos Saberes Tradicionais

O artigo enfatiza a importância de valorizar os conhecimentos tradicionais sobre alimentação e práticas dietéticas para combater a disseminação de alimentos ultraprocessados. Em algumas áreas, o sistema público de saúde já adota essa abordagem híbrida, como o trabalho das parteiras que combinam práticas biomédicas e ancestrais.

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Os pesquisadores defendem um modelo de adaptação que reconhece os rios e a floresta como participantes ativos nos processos de saúde, considerando os povos tradicionais como detentores de saberes essenciais para a sobrevivência e resiliência climática.

Desafios e Condições de Vida na Região

Leandro Giatti, professor da FSP-USP e coautor do artigo, explica que o rio é o principal meio de transporte para acesso à saúde, mas sua imprevisibilidade pode isolar comunidades inteiras, como ocorreu nas secas de 2023 e 2024. Isso resultou em dificuldades de acesso aos serviços de saúde e agravamento das condições de vida.

Di Giulio alerta que a continuidade do modelo de desenvolvimento atual e o não cumprimento dos acordos climáticos podem ameaçar a sociobiodiversidade, essencial para mitigar o sofrimento social e os danos relacionados à emergência climática.

Visão Holística da Saúde

Os autores do artigo defendem uma visão holística da saúde, que abrange aspectos espirituais, sociais e ambientais. Doenças como malária e Covid-19 são vistas não apenas como questões biológicas, mas também como reflexos de desequilíbrios provocados por ações humanas e desrespeito à natureza.

A Amazônia, historicamente explorada economicamente, sofreu com políticas públicas que ignoraram os direitos dos povos indígenas e tradicionais, resultando em perda de biodiversidade e impactos na saúde das populações locais.

Dossiê sobre Mudanças Climáticas e Saúde

Além do artigo sobre os sistemas de saúde, os pesquisadores publicaram outros três artigos, formando um dossiê sobre mudanças climáticas e saúde. Um dos artigos analisa a experiência de lideranças mulheres indígenas no enfrentamento da COVID-19 no rio Negro, enquanto outro discute novas formas de governança socioambiental na Amazônia.

O quarto artigo aborda as contradições do Brasil em sediar a COP, enfrentando desafios como a exploração de petróleo e a aprovação de projetos de lei antiambientais. Di Giulio destaca a importância de uma perspectiva decolonial nas pesquisas, priorizando temas que emergem das complexidades do Sul global.

O grupo de pesquisadores é composto por membros da FSP-USP, Universidade de Brasília, Universidade Federal do Amazonas, Fiocruz-Amazônia e Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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