Pesquisadores da USP descobrem nova variante genética ligada a doença neurológica em crianças
Pesquisadores da USP revelam nova variante genética que pode explicar a rara síndrome CONDSIAS, afetando crianças. Descubra os detalhes dessa descoberta
Nova Variante Genética Identificada por Pesquisadores da USP
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram uma nova variante genética que pode explicar uma doença neurológica em crianças. A condição, conhecida como CONDSIAS, que em inglês significa “neurodegeneração infantil induzida por estresse com ataxia e convulsões”, foi descrita pela primeira vez em 2018 e identificada apenas uma vez na América do Sul.
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O estudo foi publicado com o apoio da Fapesp.
Os sintomas da CONDSIAS incluem dificuldade de coordenação motora (ataxia), atraso no desenvolvimento e degeneração progressiva do sistema nervoso. Um dos aspectos mais marcantes da síndrome é a acentuação dos sintomas após infecções virais, como gripe, herpes e Covid-19.
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Essas doenças provocam estresse fisiológico, uma resposta imunológica natural que pode agravar a condição.
Análise de Caso e Desafios na Pesquisa
O caso analisado pelos pesquisadores da USP envolveu uma menina de 11 anos que apresentava sintomas típicos e possuía duas variantes do gene ADPRS (ADP-ribosilserina hidrolase), localizado no cromossomo 1. Uma das variantes já era conhecida por causar a doença, enquanto a outra era inédita e sua relevância clínica ainda não havia sido determinada.
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O principal desafio foi estabelecer a relação entre essas variantes e a síndrome.
“Ao analisar o DNA de um paciente, é comum encontrar mais de uma variante rara”, explica Nicolas Carlos Hoch, professor do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP e coordenador do estudo. “A dúvida é se aquela variante explica os sintomas do paciente ou não”, complementa.
Hoch também destaca que o avanço das tecnologias de sequenciamento genético facilitou a descoberta, permitindo diagnósticos moleculares mais precisos.
Investigação de Estratégias Terapêuticas
A pesquisa também busca investigar possíveis estratégias terapêuticas. Os cientistas identificaram que a proteína ARH3 atua como um “apagador molecular”, removendo uma modificação química chamada ADP-ribosilação, que as células utilizam como um sinal temporário de problemas, como danos ao DNA.
Sem a ARH3, esse sinal permanece acumulado, comprometendo o funcionamento celular, especialmente nos neurônios, que são mais sensíveis a desequilíbrios moleculares.
A síndrome ainda não possui tratamento definido, o que levou os pesquisadores a explorar possíveis abordagens terapêuticas. A partir da análise do mecanismo da doença, eles identificaram que uma estratégia viável seria reduzir a formação da ADP-ribosilação desde o início.
Os pesquisadores estão investigando o uso de um antibiótico que inibe a atividade da PARP, a enzima responsável por iniciar a ADP-ribosilação, embora os estudos ainda estejam em andamento.