Perícia confirma gastos de R$ 75 milhões em filme sobre Jair Bolsonaro; entenda o que foi revelado

A investigação sobre o filme “Dark Horse” revela gastos de R$ 75 milhões, mas a origem dos recursos permanece em sigilo. O que mais pode ser descoberto?

14/06/2026 17:06

3 min

Perícia confirma gastos de R$ 75 milhões em filme sobre Jair Bolsonaro; entenda o que foi revelado
(Imagem de reprodução da internet).

Perícia confirma gastos do filme “Dark Horse”

A perícia contratada pela Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, revelou que a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve um custo total de R$ 75 milhões, sem a utilização de recursos públicos. A investigação, que começou no início deste mês, analisa possíveis desvios de verba pública em São Paulo.

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Segundo o IPI (Instituto de Perícia Investigativa), que é um serviço privado de perícia, os gastos totais relacionados ao filme, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, somaram US$ 13 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 75 milhões. O relatório elaborado pelo instituto, assinado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, afirma que os recursos da Go Up foram movimentados por “meios formais, rastreáveis e documentalmente identificáveis”, sem indícios de uso de verbas públicas ou incentivos da Lei Rouanet.

Origem dos recursos e contratos analisados

A perícia também destacou que a origem dos recursos financeiros é privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários e outros documentos financeiros. Para a análise, foram examinadas as entradas e saídas financeiras da produtora, considerando despesas com produção, equipe técnica, fornecedores, logística, hospedagem, alimentação, segurança, infraestrutura e equipamentos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

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Entretanto, o instituto não revelou a origem específica dos recursos, alegando que os contratos analisados têm “natureza confidencial” devido a cláusulas da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). O documento menciona um contrato firmado entre a produtora e o fundo Havengate em 24 de fevereiro de 2025, que totaliza os US$ 13 milhões utilizados na produção do filme.

O Havengate é suspeito de ter sido o fundo utilizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar “Dark Horse”.

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Possível adiamento da estreia

Previsto para estrear em 11 de setembro de 2026, “Dark Horse” pode ter sua estreia adiada para após as eleições. A equipe do filme está considerando essa mudança para evitar possíveis impedimentos na exibição. A obra é aguardada por apoiadores de Bolsonaro, que esperavam utilizá-la durante a campanha eleitoral.

No entanto, a estreia do filme se tornou incerta após a divulgação de áudios entre Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por um esquema de fraudes. Nos áudios, Flávio solicita recursos de Vorcaro para a produção do filme.

Apesar da perícia confirmar os R$ 75 milhões como gasto total, o senador mencionou um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Além disso, um levantamento da Folha de S.Paulo, confirmado pela CNN Brasil, revelou que deputados estaduais de São Paulo destinaram pelo menos R$ 700 mil a entidades ligadas à produtora do filme.

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Operação contra a Go Up Entertainment

No dia 1º de junho, a Polícia Civil desencadeou a Operação Wi-Fi Livre para investigar uma possível conexão entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, que produziu “Dark Horse”.

A investigação busca apurar fraudes em licitações da prefeitura que totalizam R$ 108 milhões, além de eventuais irregularidades na operação de pontos de acesso à rede wi-fi pública em comunidades da capital paulista, no âmbito do programa WiFi Livre SP.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, já se manifestou sobre a investigação, afirmando que a operação “não tem nada a ver com o filme” que retrata a história do ex-chefe do Executivo.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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