Pentágono divulga primeiro relatório de perdas dos EUA na guerra contra o Irã

Documento aponta destruição de centenas de estruturas em nove países e quase esgotamento de munição americana.

Um F/A-18E Super Hornet pousa no convés de voo do porta-aviões USS Abraham Lincoln

Um relatório inédito do Pentágono, divulgado nesta segunda – feira (14), traz o primeiro balanço oficial do Departamento de Defesa dos EUA sobre os estragos causados pela guerra com o Irã. O documento, produzido pelo inspetor – geral, revela que ataques iranianos destruíram ou danificaram “centenas de edifícios e estruturas” em bases americanas espalhadas por nove países do Oriente Médio.

O levantamento cobre o período entre o início do conflito, em 28 de fevereiro, até 30 de junho. Além dos danos físicos, o relatório reconhece que os estoques estratégicos de munição dos EUA chegaram perto do esgotamento. As informações foram baseadas em comunicações com o CENTCOM, o Comando Central das forças americanas.

Ataques forçaram mudanças na operação militar

Os bombardeios iranianos não só destruíram equipamentos, mas também transformaram a rotina das tropas na região. Segundo o relatório, o CENTCOM precisou “realocar pessoal, ativos e instalações de armazenamento” para tentar conter as perdas.

Uma das consequências foi a retirada de helicópteros de resgate médico do Exército do Iraque e do Kuwait.

Na prática, a maioria dos feridos passou a ser transportada por via terrestre até hospitais locais. A destruição do centro regional da Marinha no Bahrein, descrito pelo secretário interino da Marinha, Hung Cao, como “completamente destruído” pelo Irã, criou um gargalo logístico.

Sem bases navais adequadas, a ilha de Diego Garcia, no remoto Oceano Índico, virou o principal ponto de apoio marítimo.

Isso fez com que os ciclos de reabastecimento saltassem para um período de 14 a 18 dias. A demora gerou escassez intermitente de suprimentos e até a interrupção do sistema de correio militar, agravando a vida dos marinheiros em missões recordes no Golfo Pérsico.

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Diplomacia e embaixadas na linha de frente

O relatório, feito em parceria com os inspetores – gerais do Departamento de Estado e da USAID, também detalhou os prejuízos em instalações diplomáticas. Os danos causados pelo Irã a esses prédios somam cerca de US 184 milhões. O documento não forneceu estimativas para as perdas militares.

Entre os alvos, a Embaixada dos EUA em Riad foi atingida por dois drones iranianos no início de março, com danos extensos que incluíram a base da CIA no complexo. No mesmo período, um drone acertou o consulado americano em Dubai, danificando um prédio de serviços auxiliares.

O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou na ocasião que o artefato atingiu um “estacionamento adjacente ao prédio da chancelaria”.

Já a Embaixada no Kuwait suspendeu totalmente as operações em março após ser alvejada. O serviço de emergência para cidadãos americanos só foi retomado no final de junho. No Iraque, uma autoridade do Departamento de Estado informou em maio que houve mais de 600 ataques contra instalações dos EUA, gerando o maior prejuízo: cerca de US 157 milhões.

Entre 23 de fevereiro e 30 de junho, até 3,5 mil funcionários diplomáticos estiveram fora da região. A maioria das representações operou sob regime de partida obrigatória ou autorizada, e muitas seguem em “operações restritas”. Ainda assim, alguns diplomatas e familiares começaram a retornar lentamente à área de conflito.