Pedro Lupion: Exclusão do Brasil da Lista de Exportação de Carnes à UE é Questão Política

Pedro Lupion revela que a exclusão do Brasil da lista de exportação de carnes à UE é uma manobra política, não sanitária. Entenda os detalhes dessa polêmica!

Exclusão do Brasil da Lista de Exportação de Carnes à UE é Política, Afirma Pedro Lupion

Pedro Lupion, presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), declarou nesta terça-feira (12) que a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes para a União Europeia (UE) não se deve a questões sanitárias, mas sim a fatores políticos.

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Segundo ele, essa decisão serve como um aviso do bloco aos agricultores europeus em um ano eleitoral. “Não há nada. Isso é muito mais uma questão política local do que uma questão internacional. Meu entendimento político disso é que foi um recado interno: acalmem aí, nós estamos cuidando de você”, afirmou em entrevista ao CNN Agro.

Lupion reconheceu que a pressão protecionista na Europa não é uma novidade. Ele observou que os resultados das últimas eleições no bloco intensificaram esse movimento. “Existe uma batalha enorme do produtor europeu para que o bloco seja mais protecionista.

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Os nossos produtos chegam lá com muito mais competitividade, preço muito menor. A mudança política de todo o bloco europeu foi muito clara nas últimas eleições, eles elegeram parlamentares muito mais protecionistas”, destacou.

Problemas Estruturais e Dados Desatualizados

O presidente da FPA também apontou um problema estrutural que, segundo ele, contribuiu para a disseminação de uma narrativa negativa sobre o agronegócio brasileiro na Europa: os dados do Brasil no sistema da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) estavam desatualizados por mais de uma década.

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Essa falha foi identificada durante uma missão a Roma, na qual participou ao lado da senadora Tereza Cristina (PP-MS) no início do ano passado.

Reuniões e Correções de Dados

Lupion relatou que a embaixadora responsável pela FAO convocou a delegação brasileira para discutir o problema. “Ela nos chamou e nos levou à FAO para ouvirmos isso. O estatístico-chefe da FAO disse: pelo amor de Deus, tragam os números”, contou.

Em uma reunião com as secretarias de Agricultura e Meio Ambiente da UE, o Brasil chegou a contestar dados que havia fornecido anteriormente ao bloco. “Ela dizia: ‘mas foram vocês que me deram esses números, como é que vocês estão contestando?’ Não, mas esses números estão errados”, lembrou.

O deputado informou que o processo de correção começou recentemente, com o envio de uma missão da FAO ao Brasil para coletar dados reais junto a entidades do setor. “Dizem que está mudando”, afirmou, expressando ceticismo sobre a velocidade das correções.

Em nota oficial, a FPA classificou a situação como uma possível tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas e defendeu uma posição firme. A frente ressaltou que o Brasil continua habilitado a exportar e que qualquer restrição só ocorrerá caso as garantias formais não sejam apresentadas até 3 de setembro, quando a norma entrará em vigor.