PCC usava fintechs para lavar dinheiro do tráfico em esquema de combustíveis

Facção criminosa usava fintechs para movimentar R 370 milhões e ocultar patrimônio em esquema de combustíveis.

Segunda fase da Operação Carbono Oculto mira lavagem de dinheiro em fintechs e fundos de investimento que movimentaram R$ 26 bilhões

O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram nesta quarta – feira uma nova fase da Operação Carbono Oculto, que mira a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis. As investigações apontam que a facção usava fintechs para lavar dinheiro e esconder o patrimônio do grupo criminoso.

Nesta etapa, agentes cumprem mandados de busca e apreensão em 29 endereços ligados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas. Os alvos estão espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.

Alvos da operação e defesas

Entre os investigados estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, que tem ligação com o Banco Genial, e o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos. A defesa de Freixo Júnior informou que não vai se manifestar sobre o caso.

Já a assessoria do Banco Genial afirmou que Tupinambá Neto não faz mais parte dos quadros da instituição. Segundo o banco, ele foi destituído ainda neste ano.

Esquema para compra de distribuidora de combustíveis

A investigação do Ministério Público revela que os líderes do PCC no setor de combustíveis montaram um projeto criminoso para adquirir a distribuidora Terrana, descrita como uma das maiores do país. Para isso, usaram uma estrutura já consolidada, que incluía o controle de usinas sucroalcooleiras.

O objetivo era ocultar a identidade dos envolvidos e parte do dinheiro. Durante as apurações, foram encontrados aproximadamente R370 milhões em créditos vinculados a uma usina do setor sucroalcooleiro, usados para financiar a compra da distribuidora.

A usina teria recebido um aporte de R 100 milhões enviados pela facção criminosa.

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Esse aporte contou com instituições bancárias como fiadoras e foi direcionado a um fundo de investimento utilizado pelo PCC em conjunto com as fintechs.

Fintechs a serviço da lavagem de dinheiro

A operação também aponta que o PCC usava diversas fintechs para movimentar os recursos da organização e criar camadas de ocultação sobre a titularidade da usina sucroalcooleira, além de outras fraudes. Segundo as apurações, um titular de fintechs e outras empresas teria utilizado a estrutura societária e financeira do grupo empresarial não só para movimentar o dinheiro das empresas da facção, mas também para esconder a real identidade dos donos dos ativos envolvidos no esquema.