PCC e Cosa Nostra: A intrigante comparação entre facções criminosas que surpreende especialistas

Comparação entre PCC e Grupos Criminosos Italianos
Uma reportagem do The Wall Street Journal, publicada na última segunda-feira (20), traçou um paralelo entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e organizações criminosas da Itália. Em entrevista ao CNN Prime Time, o ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente, afirmou que essa comparação é pertinente.
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Ele destacou que a facção paulista se diferencia de outras organizações criminosas brasileiras.
“O PCC é muito distinto do Comando Vermelho e de várias facções que atuam no Brasil, pois surgiu de uma facção que inicialmente controlava o sistema prisional para proteger seus membros e, com o tempo, expandiu suas atividades para o tráfico de drogas, crescendo de forma extraordinária”, explicou Vicente.
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Estrutura Empresarial do Crime Organizado
O ex-secretário detalhou que o PCC desenvolveu uma estrutura empresarial com alta capacidade de negociação e gestão. “A facção adquire drogas em grandes quantidades. Temos três países produtores próximos: Bolívia, Colômbia e Peru”, ressaltou Vicente, mencionando que a droga comprada por valores entre US$ 1 e cinco mil por quilo pode ser revendida por até US$ 100 mil em mercados como Hong Kong.
“Isso demanda, naturalmente, uma organização refinada para atuar no grande mercado internacional, onde interagem com compradores e outras estruturas criminosas globais”, acrescentou.
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Violência Seletiva como Estratégia
Vicente também observou que um dos aspectos em comum entre o PCC e a Cosa Nostra italiana é o uso estratégico da violência. “Gradualmente, nota-se que o PCC deixa de ser uma facção violenta, como é o caso do Comando Vermelho, pois a violência que emprega, assim como a Cosa Nostra, é direcionada a alvos específicos”, afirmou.
Ele lembrou de um caso recente, onde um indivíduo foi morto na região do aeroporto de Guarulhos, como uma ação pontual contra alguém que estaria “atrapalhando os negócios”. Vicente destacou que o PCC não busca confrontar diretamente as forças policiais, ao contrário do que ocorreu em 2006, um episódio que serviu como “grande lição” para a facção.
Além disso, o ex-secretário apontou que os lucros obtidos pelo PCC são investidos no mercado financeiro, principalmente por meio de fintechs, sendo posteriormente lavados e aplicados em empresas que aparentam ser legais ou transferidos para outros países com melhores condições de gestão desses recursos.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



