Patrimônio de deputados novatos cresce até R 33 milhões em 4 anos
Deputados novatos como Neto Carletto, Waldemar Oliveira e Duda Ramos lideram alta patrimonial e disputam reeleição em 2026.
Deputados federais que estrearam no cargo em 2022 e tentam a reeleição neste ano viram seu patrimônio crescer até R 33 milhões durante a legislatura. O levantamento, feito com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que, dos 202 novatos eleitos há quatro anos, 152 aumentaram seus bens declarados.
O salário de um deputado federal hoje é de R 39.293,32 — em quatro anos de mandato, o valor acumulado chega a R 1,8 milhão, sem contar bonificações e auxílios.
O campeão de enriquecimento entre os estreantes é Neto Carletto (Avante – BA). Em 2022, ainda filiado ao PP, ele declarou R591 mil ao TSE. Agora, em 2026, o patrimônio saltou para R 34,3 milhões— um aumento de quase 58 vezes. Procurado pela CNN, Carletto afirmou que a oscilação se deve ao recebimento de uma herança deixada pelo pai, o ex – deputado federal Ronaldo Carletto.
Os bens declarados incluem aplicações em fundos de investimento, participação em empresas, veículos e lotes residenciais e empresariais.
Segundo e terceiro colocados
Waldemar Oliveira (Avante – PE) aparece em segundo lugar entre os que mais enriqueceram. Seu patrimônio cresceu R 20 milhões nos primeiros quatro anos de mandato, saindo de R 12,3 milhões em 2022 para R 30,8 milhões em 2026. Na sequência, Duda Ramos (Podemos – RR) teve um acréscimo de R 27 milhões no período — os bens declarados passaram de R 50,5 milhões para R 78,4 milhões.
Os três disputarão novamente uma cadeira na Câmara dos Deputados.
O levantamento considerou os valores de 2022 corrigidos pela inflação até agosto de 2026. Os dados foram extraídos do sistema de verificação de candidaturas do TSE. Entre os 57 deputados que tiveram enriquecimento superior a R 1 milhão, os cinco maiores aumentos são os seguintes:
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Neto Carletto saiu de R706.903,73 para R 34.333.615,58 (saldo de R 33.626.711,85). Waldemar Oliveira foi de R 12.302.875,20 para R 30.840.089,86 (saldo de R 18.537.214,66). Duda Ramos passou de R 60.407.751,45 para R 78.473.746,16 (saldo de R 18.065.994,71.
Daniel Agrobom (PSD – GO) teve saldo de R 13.335.217,39, indo de R 11.207.135,04 para R 24.542.352,43. Já Márcio Honaiser (Solidariedade – MA) registrou saldo de R 6.917.090,62, passando de R 24.171.340,48 para R 31.088.431,10.
Deputados que perderam patrimônio
Na outra ponta da lista, alguns parlamentares viram seus bens diminuírem. Jorge Goetten (Republicanos – SC) declarou R 6,6 milhões em 2022 e, neste ano, o valor caiu para R 1,1 milhão — uma redução de R 5,5 milhões. Procurado pela reportagem, ele não quis se manifestar.
Filipe Martins (PL – TO) também teve queda expressiva: passou de R 4,6 milhões para R 1,5 milhão em 2026. Raimundo Santos (PSD – PA) registrou recuo de R 4 milhões para R 1 milhão no mesmo período.
A CNN entrou em contato com todos os deputados citados para que pudessem comentar a evolução dos valores. O espaço segue aberto para manifestações.