Patinetes em BH: Especialista questiona se é marketing ou solução real para o centro?

Debate sobre Patinetes Elétricos no Centro de Belo Horizonte: Além do Lazer
Há cerca de um mês, as calçadas da região central de Belo Horizonte foram ocupadas pelos patinetes elétricos da JET. Desde então, o assunto tem gerado discussões sobre depredação dos veículos, estacionamento inadequado e os benefícios para o lazer.
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Contudo, especialistas apontam que o foco para avaliar o potencial e os limites dessa nova modalidade deve ir além desses aspectos.
Análise Especializada: Uma Solução de Marketing?
André Veloso, economista e membro do movimento Tarifa Zero BH, questiona a introdução dos patinetes. Ele avalia que a principal contradição reside no fato de a prefeitura ter apresentado os patinetes como uma forma de expandir a micromobilidade no centro, quando outras soluções poderiam resolver o problema de maneira mais direta.
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A Visão de Veloso sobre a Mobilidade Urbana
Para Veloso, a iniciativa parece mais um artifício de marketing municipal do que uma resposta efetiva a um problema concreto. Ele argumenta que os patinetes, na verdade, não ampliam as opções de mobilidade da população.
Em vez disso, ele sugere que a modalidade pode forçar um debate simbólico sobre como a mobilidade no centro de BH deveria ser: mais voltada para pessoas e menos para veículos motorizados, mesmo que os patinetes sejam, tecnicamente, motorizados.
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Alternativas Mais Eficazes para o Centro da Cidade
Segundo o economista, não há uma resposta única para a mobilidade urbana, mas sim um conjunto de ações que podem ser implementadas, inclusive de maneira simultânea. Ele aponta que existem alternativas mais eficazes que a simples introdução dos patinetes.
Foco em Infraestrutura e Acessibilidade
Entre as possibilidades mais urgentes, ele destaca melhorias nas calçadas e a construção de ciclovias, medidas já previstas no Plano Diretor da cidade. Veloso critica o uso dos patinetes como uma “falsa solução” para um problema real de acessibilidade e deslocamento entre bairros centrais.
Ele reforça que o ideal seria priorizar a aplicação do plano de estruturação de calçadas e ciclovias, mencionando a ciclovia da Avenida Afonso Pena, cuja parte viária já existe, mas cuja conclusão total enfrenta resistência política.
Custos e Acessibilidade Financeira da Modalidade
A JET Patinetes Elétricos ganhou o chamamento público para operar o serviço. O contrato estipula tarifas dinâmicas, variando conforme dia e horário. O custo inicial para desbloquear o veículo fica entre R$ 2 e R$ 3, e o uso por minuto custa, no mínimo, R$ 0,49.
Experiências de Usuárias e o Custo-Benefício
Ana Laura Rabelo, moradora de BH e sindicalista, relatou que o custo-benefício é questionável. Ela observou que deslocamentos curtos, que ela faria a pé em 10 a 20 minutos, geraram custos médios entre R$ 7 e R$ 11.
A usuária também apontou que, embora o patinete seja mais rápido que o trânsito, ele gera uma sensação de insegurança. Além disso, ela considera a modalidade um pouco “elitista”, devido ao custo elevado para deslocamentos curtos.
Desafios de Integração e Competição de Espaço
A JET opera com 1,5 mil patinetes, distribuídos entre o centro (1,1 mil) e a região oeste (400). Embora a prefeitura exija pontos de coleta específicos, relatos de moradores mostram estacionamento em locais inadequados, como passarelas e meio de calçadas movimentadas.
A Necessidade de Organização e Educação Urbana
André Veloso critica o fato de os patinetes competirem por espaço com os pedestres nas calçadas, mas não competirem com os veículos nas ruas. Ele aponta que a solução seria mais rápida se os patinetes fossem regulados para circular nas vias, onde o problema de coleta seria mais fácil.
Ana Laura Rabelo sugere a implementação de estações fixas, similares às de bicicletas elétricas, para retirada e depósito dos patinetes. Isso garantiria maior segurança e previsibilidade para todos os usuários e pedestres.
Conclusão: Um Diálogo Aberto sobre Mobilidade
O debate sobre os patinetes elétricos em Belo Horizonte revela tensões entre a inovação tecnológica, o custo de vida e a infraestrutura urbana. Enquanto a tecnologia oferece agilidade, os custos elevados e o impacto no espaço público levantam sérias questões sobre a sustentabilidade e a equidade do sistema de mobilidade.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



