Paramount e Warner Bros. Discovery: Acordo de US$ 110 bilhões enfrenta resistência em Hollywood

A Paramount se prepara para um momento crucial na aquisição da Warner Bros. Discovery, com assembleia de acionistas agendada. O que está em jogo?

23/04/2026 09:01

5 min

Paramount e Warner Bros. Discovery: Acordo de US$ 110 bilhões enfrenta resistência em Hollywood
(Imagem de reprodução da internet).

A Paramount e a Aquisição da Warner Bros. Discovery

A aquisição da Warner Bros. Discovery, controladora da CNN, pela Paramount está prestes a enfrentar um momento decisivo ainda esta semana. Na manhã de quinta-feira, a Warner realizará uma assembleia extraordinária de acionistas para votar a proposta de US$ 110 bilhões.

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Com o apoio do conselho da empresa e de diversas consultorias de voto, a expectativa é que o negócio seja aprovado, aproximando a Paramount da compra de sua rival, que é significativamente maior. Para os acionistas, a situação é clara: há um ano, as ações da WBD estavam em torno de US$ 8, tornando a oferta da Paramount um alívio.

No entanto, as ambições do CEO da Paramount, David Ellison, de fundir sua empresa com a WBD geram controvérsias em Hollywood e além.

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Milhares de profissionais do entretenimento, incluindo atores, diretores e roteiristas, assinaram uma carta aberta se opondo ao acordo, argumentando que a consolidação do setor de mídia pode prejudicar tanto criadores quanto consumidores. Os opositores esperam que os órgãos reguladores antitruste estaduais intervenham, e procuradores-gerais democratas afirmaram que estão avaliando o impacto do acordo no mercado de mídia.

Apesar disso, os executivos da Paramount estão otimistas quanto à obtenção das aprovações necessárias para finalizar a aquisição nos próximos meses. Os termos do acordo incluem uma “taxa de atraso” que aumenta o preço por ação caso a transação não seja concluída até 30 de setembro.

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O Contexto da Aquisição

Ellison, em uma reunião com anunciantes, destacou que o objetivo é criar uma empresa líder em mídia e entretenimento que fortaleça a concorrência e atenda melhor à comunidade criativa. Ele enfatizou a importância de investir em conteúdo de qualidade e em talentos excepcionais, tanto na frente quanto atrás das câmeras.

A Paramount saiu vitoriosa na disputa pela WBD no final de fevereiro, após a Netflix decidir não fazer uma nova oferta. O co-CEO da Netflix descreveu a Paramount como uma licitante “irracional”, afirmando que a empresa preferiu desistir a pagar um preço excessivo pelos ativos da Warner, incluindo o serviço de streaming HBO Max.

Com a aquisição, Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, se tornará um dos magnatas da mídia mais influentes do mundo. Ele já havia assumido o controle da Paramount no ano passado, fundindo-a com sua produtora, a Skydance Media, e logo após fez uma proposta de aquisição à WBD, que foi rejeitada até que o preço das ações superasse US$ 30.

Desde então, os executivos da Paramount iniciaram o planejamento da integração com a WBD, embora as duas empresas ainda operem separadamente por enquanto.

Desafios e Expectativas

Em resposta à carta aberta contra a fusão, a Paramount argumentou que o acordo fortalecerá as opções dos consumidores e a concorrência, criando mais oportunidades para criadores e comunidades. Ellison reiterou seu compromisso de lançar pelo menos 30 novos filmes por ano, tanto pela Paramount quanto pela Warner Bros.

Contudo, a combinação das duas empresas pode resultar em uma carga elevada de dívidas, o que levanta preocupações sobre demissões em massa para reduzir custos.

Após a votação dos acionistas da WBD, Ellison participará de um jantar em Washington, que coincide com o evento anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, onde Donald Trump estará presente. A relação da Paramount com Trump gerou críticas e alguns opositores do acordo planejam protestar no evento.

A conexão entre o jantar e a análise regulatória do acordo com a WBD é evidente, especialmente considerando que o presidente da FCC, Brendan Carr, expressou apoio à transação.

Regulação e Análise do Acordo

Os procuradores-gerais estaduais estão considerando contestar o acordo com base em questões antitruste. A atriz Jodie Sweetin comentou que ainda há espaço para lutar contra a fusão, destacando que o principal campo de batalha será com os procuradores-gerais estaduais.

Recentemente, uma coalizão de procuradores conseguiu bloquear a aquisição de emissoras de TV pela Nexstar, o que demonstra a possibilidade de resistência ao acordo da Paramount.

O financiamento da Paramount inclui apoio de investidores soberanos da Arábia Saudita, Abu Dhabi e Catar, mas um documento regulatório indicou que esses investidores não terão direitos de governança, o que pode evitar uma análise de segurança nacional.

Reguladores europeus também estão atentos ao acordo, com a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido solicitando comentários públicos e sinalizando uma investigação inicial.

Do ponto de vista da Paramount, não há argumentos antitruste significativos contra a aquisição, já que uma fusão entre a HBO Max e a Paramount+ ainda ficaria aquém da Netflix. Além disso, a empresa já está em diálogo com reguladores há meses, e analistas acreditam que a Paramount pode fazer concessões que facilitem uma aprovação rápida do acordo.

Na União Europeia, os reguladores podem pressionar a Paramount a vender marcas menores ou separar certos ativos regionais.

O ex-diretor jurídico da FTC, Alden Abbott, comentou que o escrutínio sobre a fusão é “muito barulho por nada”, ressaltando que o acordo não apresenta um mecanismo claro para danos anticompetitivos e pode, na verdade, fortalecer a concorrência contra rivais maiores, como Netflix, Google, Apple e Amazon.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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