Operação Resolução Absoluta: como o chavismo lê os dois meses após a captura de Maduro

Defensores do governo venezuelano veem recuo tático, e não rendição, nas concessões aos EUA.

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Venezuela's interim President Delcy Rodriguez (C), President of the National Assembly Jorge Rodriguez (L), and Minister of the Popular Power for Interior Diosdado Cabello walk in a hallway to arrive at a press conference at the Miraflores Presidential Palace in Caracas on January 14, 2026. Venezuela's interim president Delcy Rodriguez said on January 14, that her country was looking to "a new political era" after the January 3 ouster of leader Nicolas Maduro in a US military strike. (Photo by Juan BARRETO / AFP)
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Operação Resolução Absoluta

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos atacaram a Venezuela na chamada Operação Resolução Absoluta. A ação, ordenada pelo governo Trump, foi um ataque militar sem precedentes contra um Estado soberano na região e provocou intenso debate.

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O ataque deixou mortos e terminou com a captura de Nicolás Maduro, levado aos Estados Unidos, onde responde a acusações em Nova York.

Nos dois meses seguintes, surgiram muitas análises sobre o episódio. As especulações giravam em torno de três pontos principais: a traição de líderes da Revolução Bolivariana, a entrega do país, sua economia e seus recursos ao imperialismo estadunidense, e o abandono do histórico anti-imperialismo venezuelano.

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Defensores do chavismo consideram essas leituras superficiais e alinhadas à retórica de Trump.

Para esse grupo, é preciso olhar para os eventos de 3 de janeiro, para a situação financeira e comercial da Venezuela e para a dinâmica de poder internacional que molda o país. Veja os principais argumentos dessa leitura.

Segundo essa visão, a história dos Estados socialistas indica que não se trata de rendição, mas de uma retirada tática diante de uma força esmagadora.

A distinção entre governo e poder estatal é um ponto crucial para entender a situação. Órgãos governamentais estabelecem políticas e emitem declarações, enquanto as instituições permanentes do poder estatal – as forças armadas, o judiciário e a polícia – representam o poder real em qualquer sociedade.

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Apesar das eleições que elegeram governos de esquerda nos últimos anos, esses governos não possuíam o controle total sobre as instituições, o que permitiu a intervenção dos Estados Unidos. Para esses analistas, a operação capturou Maduro, mas não derrubou o governo nem o Estado, o que mostraria a capacidade de adaptação dos líderes remanescentes.

O ataque cirúrgico dos Estados Unidos, com o objetivo de alterar o equilíbrio de poder e ganhar influência sobre o governo venezuelano, revelou a precisão e a complexidade da estratégia empregada. Ainda segundo essa leitura, a mobilização de apoiadores do chavismo e a unidade das Forças Armadas, que não se fragmentaram, tornariam uma ocupação terrestre prolongada cara demais para os Estados Unidos.

Para os defensores do governo, a decisão de manter o controle das instituições e ganhar tempo é uma estratégia de sobrevivência.

A negociação com o governo Trump após o ataque exigiu concessões, que esse grupo vê como o preço para preservar o governo.

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