Operação contra lavagem de dinheiro em Singapura vira leilão de R 12 bilhões em itens de luxo

Leilão de itens de luxo apreendidos em Singapura deve arrecadar R 12 bilhões até maio de 2026.

Itens apreendidos por operação contra lavagem de dinheiro na Singapura

Uma coleção de bolsas Hermès, joias Cartier e carros esportivos apreendidos em uma megainvestigação de lavagem de dinheiro em Singapura está sendo leiloada. A operação, que mobilizou mais de 400 policiais há três anos, mirou uma rede criminosa que lucrava com golpes e jogos de azar ilegais.

O volume de bens é tão grande que as vendas foram divididas em 15 leilões, que ocorrerão até maio de 2026.

Os itens estão expostos em um depósito de alta segurança perto do aeroporto da cidade – estado. Em uma sala de concreto sem janelas, colecionadores examinam centenas de objetos. Anéis da Cartier, colares da Bulgari e pulseiras “Kelly” da Hermès dividem espaço com fileiras de bolsas Chanel e Louis Vuitton.

Acervo de alto valor e origem ilícita

A operação policial, realizada após dois anos de investigações, envolveu ativos avaliados em mais de 3 bilhões de dólares de Singapura (cerca de R 12,3 bilhões). Além de dinheiro vivo, criptomoedas e barras de ouro, os agentes apreenderam imóveis, carros esportivos, vinhos, bebidas destiladas, eletrônicos e centenas de Bearbricks — bonecos japoneses colecionáveis que podem valer seis dígitos.

Dez cidadãos chineses foram condenados por lavagem de dinheiro e falsificação. Muitos deles tinham passaportes de outros países, como Camboja e Turquia. Eles usavam empresas e imóveis em Singapura para canalizar lucros de crimes cometidos no exterior.

As penas variaram de 13 a 17 meses de prisão, mas todos já foram libertados e deportados.

Os itens de luxo também estavam ligados a outros 17 suspeitos que seguem foragidos. Quinze deles concordaram em entregar bens à polícia de Singapura em troca da retirada de alertas da Interpol.

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Leilões e expectativa de arrecadação

A casa de leilões Hotlotz foi contratada para vender os artigos de luxo. Christopher Lanigan – OKeeffe, cofundador da empresa, disse à CNN que a quantidade de bolsas e joias de alta qualidade é incomum. “Você pode ter a sorte de ver uma ou duas peças como essas, mas todas juntas de uma só vez é algo bastante incomum”, afirmou.

Os dois primeiros leilões, realizados online até o final de setembro, devem arrecadar até 3,9 milhões de dólares de Singapura (R 15,9 bilhões). A receita vai direto para os cofres públicos. A Hotlotz passou os últimos quatro meses autenticando e avaliando os itens.

Alguns objetos trazem marcas do passado ilícito. Um anel de ouro 18 quilates, por exemplo, tem gravadas as iniciais “SHJ”, de Su Haijin, um dos condenados. A maioria, porém, está em condições impecáveis.

Joias raras e itens para todos os bolsos

A estimativa mais alta é de um anel com diamante amarelo de 15 quilates, que pode ser vendido por até 300.000 dólares de Singapura (R 1,2 milhão). Anéis da Hermès e da joalheria britânica Graff também devem alcançar valores de seis dígitos. Uma bolsa Louis Vuitton em formato de abóbora, em parceria com a artista Yayoi Kusama, já superou as estimativas, com lance de 39.000 dólares de Singapura (R 159,5 mil.

As vendas futuras incluirão relógios de luxo e cerca de 250 bolsas Hermès, suficientes para dois leilões exclusivos. O primeiro está marcado para novembro deste ano. Para atrair compradores do mundo todo, os leilões serão online. Os preços partem de 120 dólares de Singapura (R 489) para itens como um anel da Miu Miu ou uma presilha da Gucci. “Os itens mais caros nem sempre são os mais interessantes”, disse Lanigan – OKeeffe.