ONS registra pico de restrição à geração renovável de 14.278 MW no Nordeste em 28 de maio

O Nordeste enfrenta desafios operacionais significativos, com restrições à geração renovável que impactam a capacidade de escoamento de energia excedente.

A silhouette of windmills on a field during sunset

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) registrou, neste domingo (28), níveis elevados de restrição à geração renovável no SIN (Sistema Interligado Nacional), uma situação conhecida no setor como “curtailment”. O Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) apontou que o Nordeste enfrentou um pico de corte que alcançou 14.278 MW ao longo do dia, destacando a região como o principal foco das limitações operativas no sistema elétrico brasileiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esse volume de energia restringida é equivalente à capacidade instalada da Itaipu Binacional, a terceira maior hidrelétrica do mundo. As restrições à geração ocorreram quase todo o domingo, entre 0h e 17h 49 e novamente entre 18h 46 e 23h 59. As causas foram atribuídas a questões normativas relacionadas ao controle das operações regionais e intervenções necessárias para manter a frequência do sistema elétrico.

Impacto nas regiões

No que diz respeito às outras regiões, as restrições ficaram bem abaixo dos níveis observados no Nordeste. No Sudeste Centro – Oeste, a limitação máxima atingiu 645 MW, entre 6h 25 e 16h 45, sendo esta restrição motivada exclusivamente pelo controle de frequência.

No Sul, o valor máximo foi de 203 MW durante o período entre 6h 26 e 15h 47, também por razões similares.

No Norte, as informações fornecidas pelo ONS indicaram apenas que houve limitação entre 6h 25 e 15h 46, sem especificar um valor máximo nesse caso também relacionado ao controle de frequência. Apesar das dificuldades enfrentadas, o Nordeste se manteve como o principal polo de geração renovável no país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Produção energética na região

No balanço energético do dia, a região nordestina produziu em média 13.365 MW de energia eólica e 2.785 MW de energia solar, contribuindo significativamente para a produção renovável nacional. A carga do submercado nordestino foi de 11.994 MW médios, reforçando a necessidade urgente de escoamento da energia excedente para outras partes do Brasil.

A restrição à geração ocorre quando os parques eólicos e solares são obrigados a reduzir ou interromper suas operações por determinação do ONS, mesmo diante da presença favorável de vento ou sol. Essa ação visa preservar a segurança elétrica ou responde a limitações na rede de transmissão.

Leia também

Causas das restrições

Os cortes na geração podem ser atribuídos a três fatores principais: primeiro, há situações em que falta infraestrutura adequada de transmissão — como linhas danificadas ou atrasadas — onde os geradores podem receber compensação por não serem responsáveis pelo problema; segundo, quando as linhas de transmissão alcançam seu limite máximo de capacidade e não conseguem escoar mais energia; e por último, o excesso de oferta em comparação à demanda existente.

Nos dois últimos casos citados, os geradores não têm direito à compensação financeira pelas interrupções. Essa complexa dinâmica reflete os desafios enfrentados pelo sistema elétrico brasileiro em sua busca pela eficiência e segurança operacional.