Onda de violência anti-imigrante em Belfast deixa residências em chamas e gera protestos

Violência Anti-Imigrante em Belfast
Homens mascarados incendiaram residências em Belfast, capital da Irlanda do Norte, e queimaram diversos veículos em uma onda de violência anti-imigrante que teve início na noite de terça-feira (9). O episódio se seguiu a um ataque com faca, no qual um sudanês foi acusado de tentativa de homicídio.
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Centenas de manifestantes, muitos com os rostos cobertos, se mobilizaram após a viralização de um vídeo do ataque, que deixou uma pessoa gravemente ferida no pescoço e na cabeça.
Um vídeo exibido pela emissora britânica BBC mostrou a polícia auxiliando uma família a escapar de uma casa em chamas. Políticos locais e um pastor relataram que muitas das vítimas eram negras. Na manhã de quarta-feira (10), os moradores avaliaram os danos em suas casas.
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Algumas apresentavam fachadas e marcas escuras deixadas pela fumaça, enquanto outras foram completamente destruídas, com janelas quebradas ou queimadas. Vários carros foram reduzidos a carcaças.
A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, declarou: “Não há desculpa nem justificativa para esses ataques. Grupos de homens mascarados incendiando casas e expulsando famílias de seus lares é um ato de pura covardia.”
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Reações ao Ataque com Faca
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou o ataque inicial com faca, que ocorreu no norte de Belfast na noite de segunda-feira (8), como “repugnante”. O incidente, que não está sendo tratado como terrorismo, ocorre em um momento de tensões elevadas na Grã-Bretanha, especialmente após um caso recente em que um homem sikh alegou falsamente ter sido vítima de um ataque racista.
Além disso, o ataque acontece em meio a críticas de partidos populistas que afirmam que a política de asilo do Reino Unido facilitou a entrada de indivíduos perigosos no país. O bilionário Elon Musk compartilhou mensagens denunciando a situação no Reino Unido, respondendo a um post do ativista anti-imigração Tommy Robinson, que convocava protestos após o ataque.
A ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, comentou que “pessoas de má-fé” tentaram explorar o medo e a raiva gerados pelo ataque com faca para incitar hostilidade contra pessoas de pele negra. “Não permitam que suas preocupações genuínas sejam manipuladas”, alertou ela.
Consequências da Violência
Claire Hanna, líder do Partido Social Democrata e Trabalhista (SDLP), descreveu a violência como um “pogrom racial”. Ela afirmou que o “ecossistema online que fomentou isso agora vai seguir em frente e o povo de Belfast terá que lidar com as consequências”.
Protestos menores também foram registrados em frente ao Parlamento, em Londres, e outras manifestações ocorreram em diversas partes do Reino Unido.
Na Irlanda do Norte, jovens mascarados se reuniram no início da noite de terça-feira em vários locais de Belfast, levando a polícia a mobilizar veículos blindados. Os manifestantes incendiaram vários carros e um ônibus na zona leste da cidade. A BBC noticiou que uma multidão de cerca de 100 homens arrombou portas e quebrou janelas de casas em uma rua da capital.
O pastor Jack McKee afirmou à BBC que “eles estão sendo expulsos simplesmente por serem negros”, referindo-se aos ataques às residências. O suspeito do esfaqueamento, um sudanês de 30 anos, foi indiciado na noite de terça-feira por tentativa de homicídio, porte de arma branca em local público e ameaça de morte, devendo comparecer ao Tribunal de Magistrados de Belfast na quarta-feira.
A vítima, um homem na casa dos 40 anos, sofreu ferimentos graves nos olhos e cortes profundos no rosto e nas costas durante o ataque. Uma faca de cozinha foi encontrada no local, conforme informou o Subchefe de Polícia da Irlanda do Norte, Ryan Henderson.
Imagens mostraram várias pessoas tentando conter o agressor antes da chegada da polícia, e essas ações foram elogiadas por oficiais superiores por terem salvado a vida do homem.
A Irlanda do Norte também enfrentou tumultos anti-imigrantes no ano anterior, em meio à indignação gerada por uma suposta agressão sexual, cujas acusações contra dois jovens foram posteriormente retiradas pelo Ministério Público.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



