Jornalistas sob ataque em Santiago: Relatório aponta abusos da polícia chilena

O Observatório pelo Direito à Comunicação (ODC) divulgou nesta sexta-feira (5) um relatório alarmante sobre a situação enfrentada por jornalistas durante os recentes protestos estudantis em Santiago, Chile. A organização informou que pelo menos nove profissionais da imprensa sofreram agressões físicas e prisões arbitrárias, perpetradas pela polícia chilena, os Carabineros, em resposta às manifestações contra os cortes na educação implementados pelo governo de José Antonio Kast.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O ODC documentou uma série de abusos, incluindo o uso excessivo de gás lacrimogêneo, a destruição de credenciais de imprensa e o confisco de equipamentos técnicos. A organização classificou a ocorrência como um “retrocesso institucional”, destacando a gravidade de que a violência contra a imprensa vinha de agentes do Estado, atuando contra jornalistas que exercem um papel fundamental no registro e na reportagem de informações de interesse público.
As denúncias apontam que policiais atacaram diretamente jornalistas, fotojornalistas, trabalhadores de mídia comunitária e estudantes de jornalismo que estavam cobrindo os protestos estudantis. A organização de direitos humanos fez um apelo urgente às autoridades de Santiago para que garantam condições seguras para o exercício do jornalismo, ressaltando a importância de proteger a liberdade de expressão.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Reações e Condenações
A Federação dos Estudantes da Universidade de Santiago do Chile (Feusach) emitiu um comunicado forte, condenando a repressão desproporcional exercida pela polícia contra estudantes e trabalhadores. A violência policial ocorreu durante uma mobilização nacional contra cortes no orçamento da educação, organizada pela Confederação de Estudantes Chilenos (Confech).
Dezenas de estudantes foram presos e um número significativo de manifestantes ficaram feridos durante a repressão policial. Os representantes estudantis exigiram uma declaração pública imediata da Ministra da Educação, María Paz Arzola, e do Ministro da Segurança, Martín Arrau, em relação às graves violações dos direitos humanos registradas nas ruas de Santiago.
Leia também
Críticas e Rejeição das Medidas
Os estudantes chilenos rejeitam o conjunto de medidas de austeridade e controle policial promovidas pelo presidente José Antonio Kast. A federação universitária repudia o Plano Nacional de Reconstrução, o corte orçamentário de 3%, a mega reforma tributária que reduz os impostos sobre grandes empresas e a Lei das Escolas Protegidas, que pune os protestos com a retirada do benefício da gratuidade do ensino.
A Central Sindical dos Trabalhadores do Chile critica ainda o cadastro de “vândalos”, considerando-o um instrumento de perseguição institucional que busca coagir a mobilização pacífica, visando proteger os privilégios das elites financeiras e criminalizar a atividade dos sindicatos operários.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



