OIT inicia negociações decisivas para regulamentar trabalho em plataformas digitais

A OIT inicia negociações cruciais para definir normas de trabalho em plataformas digitais. Descubra os desafios e as propostas que podem mudar o cenário!

02/06/2026 05:21

2 min

OIT inicia negociações decisivas para regulamentar trabalho em plataformas digitais
(Imagem de reprodução da internet).

Negociações da OIT sobre Normas de Trabalho em Plataformas Digitais

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) dá início, nesta segunda-feira (1º), à rodada final de negociações para estabelecer as primeiras normas vinculativas de emprego para plataformas que oferecem serviços como transporte por aplicativo, entrega de comida e comércio eletrônico.

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Um dos principais pontos de discórdia é a aplicação de proteções, como salário mínimo e benefícios, incluindo assistência médica, licença médica e segurança social, a todos os trabalhadores dessas plataformas, ou se isso deve depender da classificação como empregados.

As discussões também abordarão a transparência na gestão automatizada, especialmente em relação a como os sistemas algorítmicos definem a remuneração, alocam tarefas e avaliam o desempenho. Os membros da OIT, que iniciaram conversas preliminares sobre o emprego dos chamados “trabalhadores de plataforma” no ano passado, pretendem chegar a um consenso sobre regras e recomendações vinculativas até o final da próxima semana.

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Desafios nas Negociações

Qualquer decisão na OIT, que visa promover os direitos internacionais do trabalho, deve ser acordada entre governos, empregadores e trabalhadores. As negociações são esperadas para serem desafiadoras, com alguns membros buscando suavizar a redação das normas.

Países como Estados Unidos, China, Argentina e Índia defendem uma abordagem menos prescritiva, enquanto a União Europeia, Brasil e México apoiam uma regulamentação mais rigorosa, conforme destacou Lena Simet, assessora sênior em justiça econômica da Human Rights Watch.

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Organizações de direitos humanos e sindicatos argumentam que a classificação de trabalhadores como contratados independentes permite que as empresas evitem cumprir requisitos de salário mínimo e obrigações como assistência médica e contribuições para a previdência social. “Há um sério problema de transparência e responsabilidade em relação ao uso de algoritmos para determinar remuneração e desempenho”, afirmou Simet.

Posições de Empregadores e Sindicatos

A Organização Internacional de Empregadores, que representa cerca de 50 milhões de empresas globalmente, defendeu que qualquer estrutura deve ser flexível, permitindo que os países adaptem as regras às suas realidades. A Uber, empresa de transporte por aplicativo, compartilha dessa visão, afirmando que as normas devem garantir proteções significativas, ao mesmo tempo em que preservam a flexibilidade e a independência que muitos trabalhadores valorizam.

A Confederação Sindical Internacional, principal entidade global que representa os trabalhadores, exige uma convenção forte e vinculativa. “A inovação tecnológica não pode ser usada como justificativa para enfraquecer os direitos democráticos do trabalho”, declarou o secretário-geral, Luc Triangle, à Reuters.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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