Novo exame detecta câncer de pulmão com mais precisão e em até 10 dias

A nova plataforma da Pfizer, em parceria com fabricante canadense, chega ao Brasil para mapear 14 genes e orientar a terapia alvo em até 10 dias.

Ultraprocessados ganham espaço pela praticidade, mas podem trazer riscos sérios à saúde quando consumidos em excesso.

Título:Câncer de pulmão: novo exame promete detecção precoce com mais precisão Linha fina: Teste identifica alterações genéticas e pode orientar tratamento personalizado; método reduz tempo de espera por resultados.

Um novo exame promete ampliar o diagnóstico precoce do câncer de pulmão. A plataforma, que acaba de chegar ao Brasil, analisa amostras de tecido ou de sangue para mapear alterações genéticas do tumor. A proposta é dar mais agilidade e precisão ao tratamento, que hoje depende de uma série de testes sequenciais.

O equipamento é da farmacêutica norte – americana Pfizer, em parceria com a fabricante de testes moleculares canadense. Batizada de “OncoDx“, a tecnologia identifica mutações em 14 genes associados ao tumor de pulmão de células não pequenas, o tipo mais comum da doença.

O resultado sai em até 10 dias, prazo considerado essencial para quem precisa começar a terapia alvo.

Para o oncologista clínico Gilberto de Castro Júnior, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), a vantagem é reduzir a chamada “janela de oportunidade”. “Em vez de o paciente fazer uma biópsia atrás da outra, ele faz um único exame que já direciona qual o melhor medicamento”, explica.

Como funciona o teste e quem pode fazer

A análise pode ser feita de duas formas. A primeira usa o tecido retirado na biópsia convencional. A segunda, mais recente, é a biópsia líquida — um exame de sangue que captura o DNA do tumor que circula na corrente sanguínea. Essa versão é indicada principalmente para quem não pode passar por procedimento invasivo ou quando a amostra do tecido é insuficiente.

O exame mapeia genes como EGFR, ALK, ROS 1 e BRAF, entre outros. Cada um deles tem um medicamento específico aprovado no Brasil. A plataforma também identifica uma mutação de resistência ao tratamento, o que ajuda o médico a decidir quando trocar a terapia.

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A Pfizer afirma que o teste já está disponível em laboratórios parceiros nas regiões Sul e Sudeste. A expectativa é ampliar a oferta para todo o país até o fim de 2026. O valor não foi divulgado, mas a farmacêutica negocia com planos de saúde e o Sistema Único de Saúde (SUS) para incorporação.

Impacto na sobrevida e no custo do tratamento

A detecção precoce de mutações muda a história da doença. Estudos internacionais citados pela Pfizer mostram que pacientes com perfil genético específico e que usam terapia alvo têm sobrevida média de 4 anos, contra cerca de 1 ano com quimioterapia tradicional.

No Brasil, o câncer de pulmão é o terceiro tipo mais comum entre homens e o quinto entre mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca.

Há ainda o impacto financeiro. Hoje, o SUS gasta em média R150 mil por paciente com quimioterapia paliativa. Com o direcionamento certo, o valor cai para R 80 mil, já que o remédio age de forma mais eficaz e por mais tempo. “Não é só uma questão de saúde, é de sustentabilidade do sistema”, avalia o médico do Icesp.

A recomendação das principais sociedades médicas é que todo paciente com adenocarcinoma de pulmão, o subtipo mais comum, faça o teste de biomarcadores no momento do diagnóstico. O exame não é indicado para rastreamento em pessoas sem sintomas — nesses casos, a orientação segue sendo o rastreamento por tomografia de baixa dosagem para fumantes de alto risco.

Próximos passos e expectativa de pacientes

A Pfizer pretende ampliar o painel do exame para incluir outros tipos de tumor, como mama e cólon, até 2027. A plataforma também deve passar a indicar imunoterapia, que hoje depende de um exame separado.

Para o paciente, a chegada da tecnologia representa menos espera e mais chance de resposta. A aposentada Maria José da Silva, de 62 anos, descobriu um tumor no pulmão em 2025 e conta que levou dois meses entre a suspeita e o início do tratamento. “Se já tivesse esse exame, teria ganho um tempo precioso”, diz.

Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo o maior aliado. Parar de fumar, procurar um médico diante de tosse persistente e, quando indicado, fazer exames de imagem são os passos mais eficientes para proteger a saúde e garantir mais qualidade de vida a longo prazo.