Novo Desenrola Brasil: Trabalhadores em risco com dívidas e segurança financeira ameaçada
Trabalhadores brasileiros enfrentam dilemas com o Novo Desenrola Brasil. Juliana Inhasz alerta sobre os riscos financeiros a longo prazo. Descubra mais!
Trabalhadores brasileiros e o Novo Desenrola Brasil
Os trabalhadores brasileiros têm a possibilidade de quitar dívidas através do Novo Desenrola Brasil. Contudo, essa medida suscita preocupações acerca dos riscos de comprometer a segurança financeira dos trabalhadores a longo prazo. Juliana Inhasz, professora de Economia do Insper, analisou que o Desenrola 2.0 mantém a mesma lógica da versão anterior do programa. “O que o Desenrola 2.0 faz é algo muito parecido com o que o Desenrola na primeira versão fez”, afirmou.
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Ela destacou que, ao resolver o endividamento sem abordar suas causas, o programa pode incentivar a população a contrair novas dívidas logo em seguida.
Programa mais abrangente, mas com riscos
Inhasz reconheceu que o Desenrola 2.0 é mais abrangente do que sua versão anterior. No entanto, a professora expressou preocupações. Para ela, embora exista uma lógica econômica em substituir uma dívida onerosa — como as de cartão de crédito ou cheque especial — por um recurso disponível no fundo, a realidade social apresenta riscos significativos. “Essa pessoa vai ficar eventualmente desassistida num momento de maior necessidade e esse é um risco social muito sério”, alertou.
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A especialista também enfatizou que a população de baixa renda enfrenta dificuldades para repor, por conta própria, o patrimônio retirado do FGTS após a quitação das dívidas. “A gente está falando de uma população que muitas vezes está decidindo qual conta vai pagar”, ressaltou Inhasz.
Nesse contexto, a recomposição voluntária da reserva se torna praticamente inviável, o que pode afetar a segurança financeira do trabalhador no futuro.
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Crítica ao uso recorrente do FGTS pelo governo
Inhasz criticou o que considera um uso frequente e pouco criterioso do FGTS pelo governo para injetar recursos na economia. “Isso aí pode estar armando uma bomba, que dali a pouco estoura e vai estourar no colo de quem é mais frágil, que nesse caso é o trabalhador”, advertiu.
Para ela, mesmo que a medida seja tecnicamente viável, “é importante que ela seja utilizada com muita parcimônia”.
A professora defendeu que a solução estrutural para o endividamento dos brasileiros deve incluir uma agenda de médio e longo prazo voltada ao aumento da renda. “A gente precisa pensar em políticas que aumentem a produtividade”, afirmou, acrescentando que isso também envolve a resolução do problema fiscal, a redução das taxas de juros e a melhoria do ambiente de negócios.
Segundo Inhasz, forçar salários mais altos sem elevar a produtividade não resolve a questão, pois a história inflacionária brasileira demonstra que os ganhos salariais acabam sendo consumidos pela alta dos preços.