Nova proposta de taxação dos EUA ao Brasil gera reações e acende alerta nas negociações bilaterais

Nova Proposta de Taxação dos EUA ao Brasil
Uma nova proposta de taxação de 25% dos Estados Unidos ao Brasil, apresentada nesta terça-feira (2), exclui produtos como carnes, café, peças de aeronaves, minerais metálicos, outras frutas, especiarias e petróleo. A medida tem gerado reações moderadas nos mercados, mas acende um sinal de alerta para as negociações bilaterais que se estendem até julho.
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Segundo Lucinda Pinto ao CNN 360º, os mercados têm respondido de forma mais contida do que o esperado. “O mercado aprendeu a ler um pouco. Ele vem sempre com uma ameaça, vem com algo a ser feito. Muitas vezes não é exatamente aquilo que está desenhado que acontece”, explicou.
Impacto da Taxação nos Produtos Isentos
Os produtos isentos são estratégicos para a economia americana. Lucinda Pinto destacou que os itens excluídos da taxação são justamente aqueles de maior relevância para o abastecimento interno dos Estados Unidos. “Esses produtos, se tivessem sido taxados, fariam muita diferença para as nossas exportações e pesariam muito sobre a inflação americana”, afirmou.
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A analista lembrou que, em razão da inflação, os Estados Unidos já enfrentam um aumento considerável, com o CPI — equivalente ao IPCA brasileiro — alcançando 3,9% no acumulado em 12 meses em abril. As tarifas têm contribuído para o encarecimento dos produtos, tornando a exportação para o mercado americano mais onerosa.
Setor de Carnes e Reconhecimento da China
Entre os produtos isentos, a carne bovina se destaca por sua importância estratégica. Pedro Venceslau também analisou o assunto no programa, ressaltando que 15% da carne bovina consumida nos Estados Unidos é importada do Brasil. Quando houve uma taxação anterior que atingiu o setor, faltou hambúrguer no mercado americano, gerando uma crise de abastecimento significativa.
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A Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina preferiu não se manifestar oficialmente, mas avaliou, em caráter reservado, que a decisão foi positiva por eliminar o risco imediato de perda de competitividade no mercado americano. A entidade informou que está acompanhando as negociações e que ainda é momento de cautela, pois a consulta pública pode trazer mudanças.
Negociações Além do Comércio
Pedro Venceslau acrescentou que a China, após a decisão dos Estados Unidos, reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa, considerando os rebanhos brasileiros saudáveis para o mercado chinês. Isso pode ampliar ainda mais as exportações de carne bovina brasileira para a China, representando um elemento adicional de pressão nas negociações com os americanos.
Vale lembrar que os Estados Unidos são o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, atrás apenas da China. Para Lucinda Pinto, a proposta parece mais um alerta para que haja negociação do que uma intenção real de taxação irrestrita. “Parece muito mais uma ameaça para que haja uma negociação, inclusive sobre outros temas para além do comercial”, disse a analista.
Próximos Passos nas Negociações
Entre os temas citados, estão questões relacionadas a meios digitais, meios de pagamento e regulamentação tecnológica — incluindo o PIX —, sugerindo que o que for acordado entre Brasil e Estados Unidos pode servir de precedente para outros mercados, como a Índia.
O cronograma prevê que, até 6 de julho, sejam recolhidas as contribuições das indústrias envolvidas e de especialistas americanos.
Nessa mesma data, haverá uma audiência para definir a ação proposta. Até 15 de julho, espera-se a definição sobre o que efetivamente entrará em vigor. Segundo especialistas ouvidos por Lucinda, o cenário atual se assemelha a uma “luz amarela” acesa, sinalizando a necessidade de negociação antes que qualquer medida seja concretizada.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



