Netflix lança sequência de “Um Mundo Diferente” com personagem africano no elenco

Sequência de “Um Mundo Diferente” na Netflix traz personagem africano no elenco principal pela primeira vez.

04/10/2026 21:22

4 min

A sequência de ‘Um Mundo Diferente’ da Netflix traz a diáspora africana para Hillman
A sequência de ‘Um Mundo Diferente’ da Netflix traz a diáspora a...
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Quase quatro décadas depois de apresentar ao público a rotina na fictícia Hillman College, “Um Mundo Diferente” ganha uma nova turma. A sequência produzida pela Netflix, com 10 episódios, chega com uma proposta clara: mostrar a diversidade da diáspora africana dentro das HBCUs (Universidades e Faculdades Historicamente Negras.

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Entre os rostos novos está Kojo Achebe, um londrino de ascendência ganesa e nigeriana que sonha em ser estilista. Quem dá vida ao personagem é o ator britânico – nigeriano Chibuikem Uche. Ele se apoiou na própria história familiar e na cultura para construir o papel.

A showrunner Felicia Pride assumiu a missão de expandir os horizontes de Hillman. “Para mim, era muito importante mostrar a diversidade da negritude que se vivencia nas HBCUs”, disse Pride à CNN durante a estreia do programa, em 21 de setembro, no Morehouse College, em Atlanta.

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Representatividade que vem de dentro

A ideia de incluir um estudante africano no elenco principal partiu de Debbie Allen, produtora executiva que dirigiu e produziu 83 dos 144 episódios da série original. Ela se lembrou dos tempos em que estudou na Universidade Howard, entre 1968 e 1971. “Tínhamos o maior corpo discente estrangeiro de qualquer faculdade HBCU nos Estados Unidos, e a maioria deles vinha da África”, contou Allen.

Quando surgiu o reboot, ela foi direta: “Eu disse que precisávamos de um estudante africano”.

A série original, que estreou em 1987, já havia tocado em temas como o ativismo antiapartheid em um episódio da terceira temporada, em 1990, com personagens sul – africanos. Mas esta é a primeira vez que um personagem africano integra o elenco fixo.

A nova fase também conta com um conselho de estudantes de HBCUs que deu retorno direto aos roteiristas e à equipe de produção. “Sabemos que temos uma responsabilidade para com o público negro global e além”, afirmou Pride.

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Detalhes que fazem a diferença

Para Uche, a história de Achebe tem muito de sua própria trajetória. Nascido no Reino Unido, filho de pais nigerianos — ambos doutores que sempre valorizaram a educação —, ele estudou matemática, passou pelo mundo corporativo e depois se tornou ator em Los Angeles.

O personagem enfrenta dilemas parecidos: cursa merchandising de moda, toca um negócio e tenta conciliar os próprios sonhos com as expectativas da família. “Vejo muito da experiência dele refletida em mim”, disse Uche.

Essa conexão pessoal permitiu que o ator ajudasse a construir pequenos detalhes que tornam Achebe único. Ele escolheu desde os lanches no quarto do dormitório — como os biscoitos digestivos que comia quando criança — até o chá que o personagem bebe.

Uma bandeira nigeriana está pendurada no quarto, ao lado de obras de arte ganesas. Pride contou que Uche também sugeriu o nome da linha de moda de Achebe, “Chop Life”. Para o ator, ver um personagem com um nome que ele reconhece, interpretado por alguém com origens parecidas, é algo que faltou em sua infância. “Isso dá às pessoas alguém com quem se conectar, alguém com quem se identificar, talvez alguém em quem se inspirar”, afirmou.

Um elo entre gerações

A presença de Achebe na série permite explorar os relacionamentos dentro da diáspora negra no dia a dia universitário. O colega de quarto Shaquille Johnson (Cornell Young IV) e o melhor amigo Amir Rodale (Jordan Aaron Hall) formam com ele um grupo que, segundo Uche, se entende rápido, apesar das origens distintas. “Acho que isso demonstra como as conversas, a dinâmica e o envolvimento da comunidade podem se concretizar”, avaliou.

Para o elenco original, ver Hillman ganhar essa dimensão global faz sentido. Cree Summer, que viveu Winifred “Freddie” Brooks pela primeira vez aos 18 anos, disse que é “surreal” acompanhar a série quase 40 anos depois. “Os negros não são um grupo homogêneo”, afirmou à CNN. “Somos muitas coisas diferentes, e é muito inspirador para os jovens negros em casa se verem representados na tela.” Ela completou: “Há muito poder na legitimidade do simples fato de ser vista.”

O senso de família também se estendeu para fora das telas. Uche contou que Darryl Bell, que interpretou Ron Johnson Jr. na série original e reprisa o papel como pai de Shaquille, levou os seis jovens atores da sequência para jantar quando chegaram a Atlanta para as filmagens.

O conselho de Bell foi simples: cuidar da relação entre eles, como o elenco original sempre fez. Muitos daqueles atores seguem amigos próximos até hoje. Para Uche, fazer parte desse legado e contar uma história claramente africana é algo que ele não imaginava quando começou a carreira. “Apertem os cintos, venham de mente aberta, preparem – se para rir, preparem – se para sentir”, disse ele, em mensagem direta aos telespectadores africanos. “Há muita emoção no programa, e preparem – se para ver um estudante africano retratado na tela.”

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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