Navio tanque Al Rekayyat do Catar é danificado por mísseis da Guarda Revolucionária do Irã
O ataque ao Al Rekayyat intensifica as tensões no Estreito de Ormuz, destacando os riscos à navegação na região estratégica para o transporte de gás natural.
Um navio tanque de GNL (Gás Natural Liquefeito) do Catar, chamado Al Rekayyat, foi severamente danificado após ser atingido enquanto navegava pelo lado de Omã do Estreito de Ormuz nesta terça – feira (6). A informação foi confirmada por quatro fontes ligadas ao assunto, que relataram que a Guarda Revolucionária do Irã disparou mísseis contra embarcações na região durante a noite.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Este é o primeiro ataque a um navio de GNL do Catar desde o início do conflito com o Irã, que começou no final de fevereiro.
A embarcação estava carregando gás natural liquefeito e emitiu sinais de socorro pedindo ajuda após ser atingida na bombordo. Apesar do susto, a tripulação está a salvo. No entanto, a praça de máquinas da nave pegou fogo e ficou tomada pela fumaça, dificultando a avaliação dos danos.
Os relatos ressaltam os riscos continuados para a navegação nas proximidades do Estreito de Ormuz, mesmo com as cláusulas de passagem segura estipuladas em acordos internacionais.
Riscos e consequências para a navegação
A situação no Estreito de Ormuz se torna ainda mais complexa devido à tensão entre os EUA e o Irã. Segundo uma das fontes, operar nas águas iranianas seria “100% seguro”, mas isso implicaria em interagir com autoridades iranianas e reconhecer que o estreito está sob seu controle.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Por outro lado, optar pela rota americana ou omanense traz riscos significativos, como ataques. “Os EUA permitem a passagem, mas quando algo acontece, a responsabilidade é sua”, afirmou a fonte.
O Al Rekayyat pertence à Nakilat (QGTSQA), também conhecida como Qatar Gas Transport Company Ltd., que possui uma das maiores frotas de transporte de gás natural liquefeito mundialmente. Dados da LSEG indicam que o último sinal de localização da embarcação foi enviado em 18 de junho, momento em que os transponders estavam desligados.
Leia também
Na noite anterior ao ataque ao Al Rekayyat, a IRGC disparou pelo menos dois mísseis contra outros navios comerciais no Estreito de Ormuz, resultando em danos consideráveis; porém, não houve vítimas registradas. Essas informações foram divulgadas por autoridades dos Estados Unidos.
Localização e impacto do incidente
A posição do Al Rekayyat no momento do ataque coincide com dados fornecidos pela Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), que informou que o petroleiro foi atingido por um projétil não identificado enquanto navegava para o sul, aproximadamente 15 km a leste de Limah, em Omã.
O incidente resultou em um incêndio na embarcação, mas não causou vítimas ou impactos ambientais relevantes até agora.
A Nakilat, Qatar Energy, o Gabinete de Imprensa Internacional do Qatar e o Comando Central dos EUA não comentaram sobre o ocorrido até o momento.
Novas ameaças e cenário diplomático
As negociações indiretas entre os Estados Unidos e Irã encerraram – se na semana passada sem avanços visíveis rumo à paz duradoura. Embora um cessar – fogo temporário tenha sido estabelecido por 60 dias para fomentar diálogos diplomáticos e encerrar o conflito, as tensões permanecem elevadas.
O presidente Donald Trump reiterou nesta segunda – feira (6) as ameaças militares dos EUA contra Teerã.
Além disso, após o funeral do líder supremo iraniano Ali Khamenei — morto nos recentes ataques entre EUA e Israel —, Teerã tem demonstrado resistência. Durante o fim de semana, a Guarda Revolucionária do Irã alertou via rádio marítima que seus “mísseis e drones estão prontos para disparar contra vocês”, conforme reportado pelo Wall Street Journal.
Com essa situação volátil no Estreito de Ormuz, investidores estão atentos às negociações entre os EUA e Irã enquanto monitoram os desdobramentos das exportações petrolíferas na região.