Após Nasdaq despencar 5,52%, mercado espera payroll para saber se Fed tem espaço para cortar juros
Os investidores começam a sexta-feira (6) de olho nos indicadores dos Estados Unidos, depois de uma quinta-feira de fortes perdas em Wall Street. A queda levou o Nasdaq a território de correção e contaminou as bolsas globais. O destaque da agenda é o payroll de outubro, que pode mostrar o ritmo da atividade americana e influenciar os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central do país.
Na véspera, o Ibovespa recuou 0,82%, aos 166.191,45 pontos, num movimento de aversão ao risco internacional. O dólar à vista subiu 0,67%, cotado a R$ 5,489. Em Nova York, o Nasdaq despencou 5,52%, o S&P 500 caiu 4,36% e o Dow Jones perdeu 3,44%, com as vendas concentradas em empresas de tecnologia e semicondutores.
Payroll de outubro mede o ritmo do emprego nos EUA
Às 10h30 (horário de Brasília), o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulga o payroll de outubro. O relatório reúne a criação de empregos, a taxa de desemprego e os salários médios por hora, e costuma mexer diretamente com as apostas sobre os juros.
Um mercado de trabalho aquecido tende a reforçar a preocupação com inflação e a reduzir o espaço para cortes de juros. Já sinais de enfraquecimento podem abrir caminho para uma política monetária menos restritiva. Em setembro, os Estados Unidos criaram 29 mil vagas, e os salários médios por hora avançaram 0,1% na comparação mensal e 3% em 12 meses.
Consumidor americano mostra percepção sobre preços às 12h
Às 12h, a Universidade de Michigan publica a leitura preliminar de novembro do índice de confiança do consumidor, que em outubro chegou a 48 pontos. No mesmo intervalo, saem as projeções de inflação dos consumidores para os próximos 12 meses e para os cinco anos seguintes.
Na leitura anterior, essas projeções eram de 4,7% e 3,5%, respectivamente. Esses números ajudam a medir como o consumidor enxerga a evolução dos preços e podem indicar se as pressões inflacionárias tendem a persistir na economia americana.
Aluguel, balança comercial e dados da Europa no radar
No Brasil, a agenda começa às 8h, com o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador registrou alta de 0,28% em setembro. Às 15h, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apresenta a balança comercial acumulada até 30 de outubro, e a semana anterior havia fechado com superávit de US$ 1,690 bilhão.
Na Europa, às 4h, saem os números da produção industrial da Alemanha referentes a setembro, depois de o indicador ter avançado 2% em agosto na comparação mensal. Às 4h45, a França divulga a balança comercial, que havia registrado déficit de 6,1 bilhões de euros no mês anterior.
Já às 7h, o Eurostat publica as vendas no varejo da zona do euro, que subiram 0,1% em agosto na comparação mensal e 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
No Brasil, os investidores seguem atentos à política fiscal e aos efeitos da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de interromper o ciclo de cortes da Selic, mantida em 13,75% ao ano.
Lula e Durigan se reúnem sobre política energética
Às 10h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participam de uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Ministério de Minas e Energia.
No calendário corporativo, a temporada de balanços trimestrais segue no Brasil e no exterior. A Alpargatas divulga seu resultado no mercado brasileiro, enquanto a farmacêutica Moderna apresenta os números nos Estados Unidos.
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