“Não segui meu instinto”, diz Michael Tuohey, agente que atendeu sequestradores do 11/9

Michael Tuohey, então agente de atendimento ao cliente de uma companhia aérea, ajudou Mohammad Atta e Abdul Aziz al Omari a fazer o check – in no Aeroporto Internacional de Portland, no Maine, em 11 de setembro. Meia hora depois, os dois embarcaram para uma viagem que terminaria com o voo 11 da American Airlines atingindo a Torre Norte do World Trade Center.
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Naquele dia, outro avião bateu na Torre Sul, um terceiro atingiu o Pentágono e um quarto caiu na Pensilvânia. Cerca de 3.000 pessoas morreram. O ataque deixou dezenas de milhares de cônjuges, pais e filhos enlutados e alterou a política de segurança nacional dos Estados Unidos.
O check – in dos sequestradores em Portland
Naquela manhã, Tuohey escaneou as passagens de papel dos dois homens. Ele verificou se os bilhetes tinham sido comprados recentemente ou pagos em dinheiro, situações que poderiam indicar risco mesmo antes do 11 de Setembro.
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As passagens, porém, haviam sido adquiridas semanas antes, com cartões de crédito, e eram para a primeira classe. “Eles nunca chegaram a esse próximo nível. Segui todas as orientações, fiz o meu trabalho”, disse Tuohey.
Enquanto os primeiros raios de sol iluminavam o céu a leste de Portland, o funcionário não tinha como prever os acontecimentos que viriam. Mais tarde, as falhas da inteligência americana na detecção do plano da Al Qaeda seriam amplamente examinadas.
As marcas deixadas pelo 11 de Setembro
Após os ataques, o Departamento de Segurança Interna foi criado, os procedimentos nos aeroportos passaram por mudanças e os Estados Unidos aprovaram uma série de novas leis de segurança. O episódio ocorreu no início do primeiro mandato do presidente George W.
Bush e desencadeou guerras que duraram décadas.
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Mais de 900 mil pessoas morreram nessas guerras, principalmente no Iraque e no Afeganistão. O 11 de setembro também mudou trajetórias pessoais: alguns filhos de vítimas seguiram carreiras de emergência, enquanto outros foram para as áreas militar, médica ou de serviço público.
Tuohey, hoje com 80 anos e aposentado, afirma que percebeu algo estranho, mas não agiu guiado pela própria desconfiança. “Meu instinto estava certo, mas havia leis, havia leis contra a prática de discriminação por perfil”, disse ele, de sua casa no Maine. “Eu não segui meu instinto.
E acabou sendo uma coisa terrível”, afirmou.
Trauma, tratamento e tentativa de seguir adiante
Ele continuou no emprego por mais três anos. Depois de uma despedida organizada pela US. Airways, passou a ter dificuldade para lidar com as lembranças do ataque. Disse que via Mohammad Atta dentro de carros quando ia buscar correspondência e corria para casa sempre que alguém entrava em sua rua.
A esposa também percebeu que Tuohey permanecia sentado no carro estacionado na entrada de casa ou ficava no banho sem notar a passagem do tempo. Ele então procurou ajuda e recebeu o diagnóstico de um transtorno dissociativo. Foram cerca de seis meses de terapia, nos quais revivia o dia nas sessões.
Ao fim do tratamento, Tuohey disse que deixou de ver Atta e voltou a se sentir “normal”. A terapia não alterou o que aconteceu em 11 de setembro, mas o ajudou a aceitar parte daquele passado. “Não é que eu estivesse certo. É só que isso poderia ter mudado alguma coisa.
Não que teria mudado, mas poderia ter mudado. Quem sabe?”, disse ele.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



